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Terça-feira, 8 de outubro de 2024

Era uma vez um Presidente… outra vez. E, desta vez, a história não começa com incertezas ou com aquela sombra de dúvida que me acompanhou no ano passado. Hoje, não há espaço para hesitações. Estou seguro, confiante e plenamente consciente do que conquistei e do peso histórico deste momento. Fui reeleito Presidente da CBS United Nations e, ao fazê-lo, tornei-me na primeira pessoa, de qualquer nacionalidade, a ser reeleit@ para este cargo na CBS. O peso desta responsabilidade não me assusta; pelo contrário, enche-me de energia. Sabia que ia vencer. Não porque subestimasse @s outr@s candidat@s, mas porque este ano foi uma construção meticulosa, onde cada passo, cada erro e cada sucesso me prepararam para este exato momento. Este não foi o resultado de um acaso, mas de um trabalho calculado e persistente, onde a confiança foi crescendo de forma orgânica.


Quando entrei na sala da Assembleia Geral, sentia-me diferente do ano anterior. No ano passado, aquela sala parecia um espaço intimidador, cheio de olhares expectantes e de um nervosismo palpável. Cada passo que dei até ao pódio em 2023 estava carregado de uma tensão quase insuportável, como se estivesse a caminhar sobre uma corda bamba, prestes a desequilibrar-me a qualquer momento. Hoje, não. Hoje, cada passo foi um ato de confiança. Sabia que, independentemente do resultado, o meu lugar estava ali, e isso fez toda a diferença. No ano passado, havia incerteza no meu discurso, uma hesitação entre as palavras. Este ano, as palavras fluíram de forma natural, sem tropeços, sem pausas incertas. Falei com a certeza de quem já percorreu este caminho, de quem já enfrentou os desafios mais difíceis e saiu mais forte. A cada frase, sentia que estava a reafirmar o trabalho que fizemos, a comunidade que construímos e a visão que tenho para o futuro da CBS UN.


Este último ano trouxe-me uma clareza que nunca pensei ser possível. A ideia de transformar a CBS MUN numa organização irmã foi talvez o passo mais arriscado que demos, mas também o mais recompensador. No início, houve quem duvidasse da decisão. A autonomia que lhes demos, a liberdade para crescerem por si só, trouxe desafios – alguns imprevistos, outros inevitáveis. Kainat, enquanto Secretária-Geral, foi fundamental para garantir que a ponte entre as duas organizações nunca se quebrava, embora nem sempre tenha sido fácil. Houve momentos em que parecia que as duas entidades estavam a seguir caminhos divergentes, e tive de intervir para manter a coesão. No entanto, no fim, o resultado fala por si: CBSMUN 2024, a primeira conferência universitária MUN em Copenhaga, foi um sucesso absoluto. Conseguimos não só mobilizar estudantes de várias partes do mundo, como também colocar Copenhaga no mapa do circuito global de MUNs universitários. O que começou como um sonho, um projeto ambicioso, tornou-se realidade.


Ao mesmo tempo, a Academia que organizamos todos os semestres, fundada por mim enquanto Chefe de Academia na altura, juntamente com a minha equipa de voluntári@s em 2022, cresceu de forma exponencial. No ano passado, lutávamos para preparar uma única delegação para uma conferência MUN. Este ano, preparámos pela primeira vez duas delegações em simultâneo para diferentes conferências, a CBSMUN e a National MUN em Nova Iorque, com equipas lideradas por diferentes Chefes de Delegação. Esta expansão foi, sem dúvida, desafiante. A pressão para garantir que cada delegação estava devidamente preparada, que cada líder tinha o suporte necessário, foi imensa. Mas foi também um sinal claro de que o trabalho que fizemos valeu a pena. A Academia tornou-se não apenas um espaço de formação técnica, mas um verdadeiro campo de treino para líderes. E, olhando para os resultados, sei que conseguimos plantar sementes que irão crescer muito além do meu mandato.


Quando os votos começaram a ser contados, houve um momento em que me permiti parar e observar a sala. Olhei à minha volta e vi as caras conhecidas – as pessoas que estiveram ao meu lado ao longo deste último ano – e senti um orgulho imenso. 18 votos a favor, 8 contra. O resultado foi claro, e a força da oposição manteve-se. No ano passado, a oposição já contava com 4 votos contra. No entanto, este ano, a oposição manifestou-se de forma mais vocal. Durante a sessão de perguntas, uma das questões levantadas foi se havia um limite nos estatutos sobre quantas vezes alguém poderia exercer o cargo de Presidente. Este episódio, longe de ser uma desvantagem, foi um sinal de que estou a fazer mudanças que realmente mexem com as pessoas. Ninguém se opõe ao que não importa. O crescimento da oposição é um reflexo de que o impacto das decisões tomadas durante o meu mandato foi sentido. E, embora @s 8 votantes contra tenham as suas razões, sei que, no fundo, isso significa que estou a fazer algo que importa, que incomoda, que desafia o status quo. Isso, para mim, é liderança.


No entanto, este ano não foi apenas de conquistas. Também aprendi muito sobre as pessoas com quem trabalhei. A Gargi, a minha Vice-Presidente, foi o meu braço direito em todos os momentos. Há uma confiança mútua entre nós que não se constrói da noite para o dia. Passámos por momentos de enorme pressão, mas nunca vacilámos. Ela trouxe estabilidade quando, por vezes, eu estava prestes a desmoronar. A Gloria, a nossa tesoureira, foi igualmente crucial. Sempre com a sua abordagem metódica, garantiu que nunca ficássemos sem os recursos necessários. Contudo, houve outras relações que não floresceram como eu esperava. A Nanna, por exemplo, nunca pareceu verdadeiramente comprometida. Fez o seu trabalho, mas sempre com uma distância que me incomodava. Desde o início, sabia que ela não acreditava realmente no projeto. Quando hoje olhou para mim durante a votação, soube imediatamente que o seu voto seria contra mim. E isso não me surpreendeu. Há pessoas que, independentemente do que faças, nunca estarão do teu lado. Mas o que me magoou foi perceber que ela nunca foi transparente sobre as suas dúvidas.


Apesar disso, saí da Assembleia com a certeza de que o trabalho que fizemos não foi apenas significativo, mas absolutamente necessário. O crescimento das nossas campanhas de marketing, o sucesso do SDG Sundays e do UNveiling Sundays, e o apoio financeiro do fundo Activity Pool da associação de estudantes, assim como do Tuborgfondet, deram-nos as ferramentas para sonhar mais alto e continuar a expandir a nossa influência. A nossa comunidade não cresceu apenas em número, mas também em espírito e ambição. Este ano, conseguimos fazer algo que, há pouco tempo, parecia impossível: trouxemos embaixador@s e cônsules ao campus, e fizemos visitas a embaixadas, institutos culturais e agências da ONU. Conseguimos também trazer figuras de destaque para falarem na nossa Academia semestral, figuras que, com a sua experiência, enriqueceram as discussões e inspiraram uma nova geração de futur@s líderes. Acolhemos pessoas de todos os continentes na nossa primeira conferência MUN doméstica e representámos a CBS em Oxford e Nova Iorque.


Estas iniciativas não foram apenas eventos isolados; foram marcos que consolidaram a nossa posição como uma organização de referência em assuntos internacionais dentro da universidade, e até além dela. Cada visita, cada conferência, cada campanha de marketing contribuiu para elevar a reputação da CBS UN e fortalecer a nossa rede de contactos. Trabalhámos com instituições de renome, como embaixadas e organizações internacionais, estabelecendo laços que poderão beneficiar as futuras gerações de membr@s da nossa comunidade. Organizar, pela primeira vez, uma conferência MUN doméstica, receber figuras diplomáticas de alto nível e representar a CBS em Oxford e Nova Iorque não foram apenas feitos logísticos; foram símbolos do que é possível alcançar quando um grupo de pessoas partilha uma visão comum. E isso é algo de que me orgulho imensamente. Se há um ano, no meio da vitória, ainda me sentia só – carregado pelo peso da responsabilidade e da incerteza sobre o que o futuro traria –, hoje, esse vazio foi completamente preenchido.


É curioso como o que define esta fase da vida não é apenas o sucesso profissional ou académico, mas a constante sensação de que estamos a viver uma fase aleatória e cheia de contradições. Por mais que tenha conseguido alcançar algo tão significativo como ser reeleito Presidente da CBS UN, o resto da vida continua a parecer um caos. A casa dos 20 anos é marcada por esta dualidade: de um lado, vitórias e conquistas, e do outro, uma confusão de decisões, dúvidas e comparações com quem nos rodeia. Enquanto dou este passo firme na minha liderança, olho à volta e vejo pessoas da minha idade a casar, a ter filh@s, a comprar casas ou a ainda viver com @s pais/mães. Tudo parece acontecer a ritmos diferentes para cada pessoa, como se não houvesse uma linha de chegada comum, mas um labirinto onde cada um de nós tenta encontrar o seu caminho. E, no meio de tudo isto, continuamos a tentar equilibrar expectativas e realidade, ambição e cansaço. Afinal, nem sempre é fácil conciliar o peso das responsabilidades com o desejo de, simplesmente, parar um pouco e respirar.


Se há um ano a sensação de isolamento me perseguia, hoje entendo que o caos e a contradição fazem parte do processo. A reeleição como Presidente da CBS UN não é apenas um símbolo de confiança e liderança, mas também uma lição sobre o equilíbrio entre o sucesso e o tumulto que caracterizam os meus 20s. Percebo agora que a certeza absoluta nunca será alcançável, e estou em paz com isso. A jornada não é linear, e as vitórias não se medem apenas pelos cargos que ocupamos ou pelos feitos que alcançamos. São também encontradas nos momentos em que paramos para refletir, nas pessoas que nos rodeiam e na capacidade de continuar a avançar, mesmo quando o caminho à frente é incerto. Hoje, sinto-me mais em paz com essa dualidade, com o facto de liderar enquanto ainda descubro o meu próprio caminho. E, talvez, essa seja a verdadeira vitória.

 
 
 

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