Terça-feira, 7 de novembro de 2023
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de nov.
O dia amanheceu em Copenhaga com uma atmosfera serena, mas em Portugal, uma tempestade política estava prestes a eclodir. Recebi, através de uma mensagem escrita pela minha avó no grupo de família do WhatsApp, a surpreendente novidade de que António Costa, o Primeiro-Ministro de Portugal, renunciou ao seu cargo, apresentando a sua demissão ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Esta decisão drástica surgiu na sequência de investigações que apontavam para alegados esquemas de corrupção no governo, relacionados com a exploração de lítio e hidrogénio, e sacudiu a estrutura política portuguesa até ao seu âmago.
Enquanto seguia, estupefacto, as atualizações no ecrã do meu telemóvel, um sentimento de desgosto invadiu-me. A distância que me separa de Portugal parecia tornar-se cada vez mais palpável com cada notícia que surgia. Assistir ao meu país natal a perder a sua liderança política num cenário internacional e a entrar num período de incerteza política profunda trouxe-me uma sensação de amargura. Era mais do que uma simples mudança política; era um reflexo da fragilidade das nossas instituições e da confiança que colocamos n@s noss@s dirigentes.
A demissão de Costa, anunciada numa tarde carregada de tensão e especulação, marcou um ponto de viragem significativo na História política de Portugal. A imprensa internacional não tardou a repercutir a gravidade da situação, com jornais como El País a destacarem a crise inesperada que se abateu sobre Portugal, colocando o país sob um escrutínio global. Perante este cenário, Marcelo Rebelo de Sousa mostrava-se preparado para convocar o Conselho de Estado, procurando orientar a nação através deste turbilhão político.
Este momento crítico levou-me a refletir sobre o papel que desempenho enquanto influenciador nas redes sociais. A constante necessidade de equilibrar as minhas opiniões com a urgência de não ferir suscetibilidades é uma corda bamba. A cada palavra que publico, sinto o peso da responsabilidade de não tocar inadvertidamente em assuntos delicados, evitando o risco de ser cancelado. Esta necessidade de agradar a tod@s, de ser um people pleaser, torna-se um desafio constante, forçando-me a medir cada expressão e cada partilha, numa tentativa de manter a harmonia e evitar conflitos.
Este episódio é um lembrete vívido da enorme responsabilidade que recai sobre os ombros d@s líderes. As decisões tomadas hoje têm o poder de moldar o amanhã, e agora, mais do que nunca, o futuro de Portugal é uma incógnita, repleto de desafios, mas também de oportunidades.
Num dia já saturado de emoções intensas e reflexões profundas acerca do panorama político de Portugal, uma interação no Twitter trouxe um momento de ligeireza inesperada. Uma das minhas seguidoras, talvez impulsionada pela ideia de mudança, comentou: “Eu voto no Duarte Carrasco para Primeiro-Ministro.” Não tardou até que outra utilizadora respondesse com uma pitada de humor ácido: “Vocês gostam bué de personagens da Vila Moleza a governar o país.”
Fiquei surpreendido e, confesso, um pouco divertido com a comparação. Ser equiparado ao Sovina da Vila Moleza, e António Costa ao Presidente da Câmara da mesma série, é algo inesperado mas intrigante. Estas personagens, apesar de fictícias e orientadas para o entretenimento infantil, carregam estereótipos e traços que, de alguma forma, refletem elementos da vida política. O Sovina, sempre meticuloso e algo avarento, e o Presidente da Câmara, frequentemente visto como a figura que procura manter a ordem e o bom funcionamento da Vila.
Esta troca de tweets fez-me refletir sobre como, mesmo não sendo um político, a minha exposição pública leva-me frequentemente a ser incluído em discussões sobre política e governança. Parece que algo na forma como me expresso ou na maneira como interajo com o público desperta a curiosidade e a imaginação das pessoas, ao ponto de me verem como um potencial líder político, ainda que de forma jocosa.
Estas interações, por mais leves que sejam, lembram-me da importância da minha jornada. Elas evidenciam que, apesar de não ser um político, o meu alcance e influência podem ter um impacto real, levando-me a ponderar sobre a responsabilidade que carrego e sobre o poder da comunicação e da imagem no mundo contemporâneo.
Ao finalizar o dia, com o coração pesado mas com uma renovada determinação, reconheço que, apesar da distância física, a minha conexão com Portugal é mais forte do que nunca. Estes são tempos para reflexão intensa, não só para mim, mas para tod@s @s portugues@s, quer estejam dentro ou fora das fronteiras nacionais. Fica o compromisso de acompanhar de perto os desenvolvimentos no meu país, aprendendo com cada passo e preparando-me para um dia contribuir ativamente para a construção de um Portugal mais estável e próspero.

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