Segunda-feira, 30 de setembro de 2024
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 7 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.
Este mês pareceu passar a correr. Talvez pela quantidade de acontecimentos inesperados ou por esta altura do ano ser sempre recheada de compromissos. Uma das notícias mais marcantes veio do outro lado do Atlântico: Taylor Swift declarou publicamente o seu apoio a Kamala Harris. Este anúncio mexeu com as redes sociais e com a cena política americana, não só porque Taylor é uma das figuras públicas mais influentes dos últimos tempos, mas também porque se tornou uma voz ativa nas questões sociais e políticas. Esta manifestação de apoio surgiu no momento em que Kamala Harris assumiu a candidatura d@s Democratas, depois de Joe Biden anunciar que não se recandidataria à presidência dos Estados Unidos. A reação de Donald Trump, que continua a ser uma das figuras mais divisoras da política mundial, não se fez esperar: recorreu ao Twitter, como é hábito, e, numa frase curta mas carregada de emoção, escreveu “ODEIO TAYLOR SWIFT”. A tensão política nos Estados Unidos está cada vez mais latente, e esta troca pública de palavras apenas reforça as divisões que se têm acentuado nos últimos anos.
Entretanto, regressei ao ambiente mais próximo de mim, aqui em Copenhaga, e, na verdade, não faltaram motivos para me envolver. Finalmente, tive a oportunidade de conhecer o novo Presidente da CBS, Peter Møllgaard. Quando a corrida à presidência da universidade estava em andamento, no semestre passado, lembro-me bem de ter as minhas expectativas depositadas no antigo Diretor de Educação, alguém cuja visão para a CBS parecia ir ao encontro do que eu acreditava ser necessário para impulsionar a universidade para o futuro. Essa pessoa não acabou por ganhar, mas ao conhecer Peter Møllgaard percebi que, apesar de não ser a minha escolha inicial, ele é uma figura que, de certa forma, representa estabilidade e experiência. Além do seu extenso percurso na gestão de universidades, a escolha de Peter para liderar a CBS teve em consideração a sua vasta rede de contactos no mundo empresarial e político, que se espera venha a fortalecer as ligações da universidade com o exterior e a consolidar a sua posição como a maior escola de negócios da região nórdica e uma das maiores da Europa e do mundo.
Como Presidente da CBS United Nations, Vice-Presidente d@s International Student Ambassadors, membro ativo do Conselho Académico da CBS e representante da minha Direção de Curso, tenho vindo a assumir um papel central na representação e promoção da universidade, dando voz à diversidade e aos valores que a CBS procura transmitir. Cada uma destas responsabilidades, embora distinta, converge para o mesmo objetivo: criar uma comunidade mais inclusiva, onde todas as vozes são ouvidas, respeitadas e integradas nas decisões que moldam a experiência académica. Seja através do meu trabalho em apoiar estudantes internacionais, da representação dos interesses d@s alun@s junto da administração, ou na promoção de eventos que celebrem a multiculturalidade e o pensamento crítico, procuro ser um agente de mudança que contribui para o crescimento contínuo da CBS como uma instituição de excelência. Estas funções exigem de mim uma dedicação diária e uma presença ativa em vários contextos da vida académica, onde cada dia representa uma oportunidade de crescimento pessoal.
Nos últimos dias, tive a oportunidade de participar na gravação de uma nova campanha promocional, que agora está a circular nas redes sociais da CBS, com o objetivo de atrair estudantes internacionais para o programa Young Professionals in Denmark (YPD), no qual tive a sorte de participar no último ano letivo. Este programa, que marcou de forma significativa o meu percurso académico, foi criado para apoiar estudantes internacionais na sua integração no mercado de trabalho dinamarquês, proporcionando-lhes as ferramentas e competências necessárias para terem sucesso num ambiente profissional tão competitivo e dinâmico como o da Dinamarca. No vídeo divulgado pela CBS, partilho o que me motivou a inscrever-me no programa: “O que me levou a candidatar foi, de facto, o receio de que, enquanto estudante internacional, não tivesse as mesmas oportunidades que @s dinamarques@s para entrar no mercado de trabalho.” Poder dar voz à realidade de quem estuda e trabalha num país estrangeiro é algo que levo muito a sério e que me motiva a continuar a fazer parte de projetos como este.
Outro capítulo importante destes tempos foi o meu envolvimento com a Associação Portuguesa na Dinamarca, onde organizei e participei em diversos eventos destinados a fortalecer a comunidade portuguesa residente no país. Um dos momentos mais marcantes foi a nossa participação na DHL, uma corrida anual de estafetas que é extremamente popular na Dinamarca, que se realizou a 27 de agosto. Esta foi uma excelente oportunidade para promover a união e o espírito de equipa entre @s membr@s da comunidade, enquanto participávamos num evento dinamarquês de grande destaque. Outro evento significativo foi o segundo brunch do ano, que ocorreu a 8 de setembro, reunindo o máximo de 80 inscrit@s, a maioria jovens. Este brunch tornou-se um marco para a Associação, pois foi a primeira vez que o evento esgotou, com a maioria d@s participantes a serem jovens. Considerando que fui @ primeir@ jovem a integrar a Direção da Associação em fevereiro, um dos meus objetivos sempre foi aumentar o engajamento da nova geração nos eventos. Estou contente por ver que os resultados das minhas ações começam a ser visíveis.
O meu envolvimento culminou na participação numa reunião do Conselho Consultivo da Área Consular da Dinamarca, realizada a 13 de setembro na Embaixada de Portugal em Copenhaga, onde se reuniram várias personalidades-chave para debater o presente e o futuro da comunidade portuguesa na Dinamarca. Ao entrar na sala de reuniões da Embaixada, senti imediatamente a importância do momento. Durante a reunião, foram discutidos temas como as atividades da Embaixada, o ensino da língua portuguesa e as diversas iniciativas culturais promovidas pelo Instituto Camões. Foi uma oportunidade única para partilhar o trabalho da Associação e os eventos que temos realizado, mas também para aprender sobre os desafios e sucessos da comunidade portuguesa na Dinamarca. Poder participar ativamente neste fórum foi uma experiência extremamente enriquecedora. Reforçou em mim a importância de colaborar em rede para fortalecer a presença portuguesa no país e garantir que a nossa cultura, língua e valores sejam valorizad@s e promovid@s de forma ativa.
A minha participação no Conselho Consultivo inspirou-me a fundar um clube na CBS: a “CBS Portuguese Society”. A ideia surgiu numa sexta-feira, durante uma conversa com um colega português que conheci recentemente e que começou o seu mestrado na CBS. A nossa conversa centrou-se na importância de deixar um legado duradouro no campus, algo que fosse significativo para a crescente comunidade portuguesa, uma presença que tenho observado ao longo dos muitos eventos e atividades em que participo. Naquele momento, convidei-o a ser meu Vice-Presidente neste novo clube, que pretendo estabelecer como parte de uma estratégia final para tornar o meu último ano na CBS verdadeiramente memorável e impactante. Durante a nossa conversa, ele mostrou-me fotos de um jantar de portugues@s ao qual tinha ido na noite anterior. Ao ver aquelas imagens, não pude deixar de me sentir um pouco desconfortável, embora mantivesse um sorriso no rosto. Fiquei genuinamente surpreendido ao perceber que todas aquelas pessoas se tinham conhecido graças ao meu envolvimento e esforços na comunidade.
Entre aqueles rostos estava a Teresa Seco, uma amiga que conheço desde os meus dois anos de idade. Crescemos junt@s e, há dois anos, ajudei-a a integrar-se na cultura dinamarquesa quando se mudou para Copenhaga. Fiquei a pensar como é que ela, sendo uma amiga tão próxima, participou num jantar de jovens portugues@s sem me incluir ou sequer me contar sobre o evento. Poderão questionar: “Por que é que precisas de estar em todo o lado? Porque não deixas que as pessoas tenham momentos sem te incluir?”. Eu compreendo essa questão, mas a resposta é simples: eu não sou perfeito. Ao longo do meu percurso, cometi erros, incluindo um post que partilhei nas redes sociais durante uma campanha eleitoral que acabou por me custar o meu cargo de Diretor de Rede da associação de estudantes. E posso até não ser uma pessoa perfeita – ou um profissional imaculado – mas sou alguém que luta incansavelmente pelo que acredita. @s estudantes da CBS, em particular @s portugues@s, podem não ter noção da sorte que têm por me ter ao seu lado. O meu compromisso é tal que não hesitaria em sacrificar-me, de novo e de novo, por el@s.
Quando fui despedido do meu primeiro emprego, fiquei completamente desorientado. Tinha 22 anos e toda a minha vida girava em torno do orgulho da minha família por mim. De repente, esse orgulho desapareceu. O Natal de 2022 foi o pior da minha vida. Tod@s @s meus/minhas familiares perguntavam-me quando iria começar o mestrado, enquanto tinha exames pendentes devido ao trabalho a tempo parcial – um trabalho que deixei de ter. No entanto, a vida surpreende-nos de formas inesperadas. Pouco depois, surgiu uma oportunidade: uma viagem a Harvard para participar como delegado na 69.ª edição da Harvard National Model United Nations. Coincidiu que a minha irmã de acolhimento de Nova Jérsia, da família que me recebeu aos 16 anos, estava a estagiar em Boston. Reencontrámo-nos, juntamente com a nossa mãe, que conduziu horas só para me ver. Nesse jantar, entre memórias e conversas, disseram-me: “Estamos tão orgulhosas de ti, Duarte, pelo teu percurso.” Essas palavras mudaram tudo para mim. Desde então, nunca mais olhei para trás. Esse momento definiu quem sou hoje – alguém menos imperfeito.
Sou uma pessoa imperfeita porque, como tod@s, tenho momentos de fraqueza e dúvidas, e sei que nem sempre reajo da melhor forma a situações inesperadas. Admito que fiquei afetado por não ter sido convidado para o jantar d@s jovens portugues@s – e isso pode parecer um detalhe insignificante para quem vê de fora. Talvez seja egoísmo meu, talvez seja uma vontade inconsciente de querer fazer parte de tudo ou um desejo profundo de me sentir incluído num espaço ao qual tanto esforço dedico para construir. Mas a verdade é que cada ação e decisão que tomo, cada evento que organizo e cada projeto que abraço são motivad@s por um sentimento de comunidade e de ligação à minha cultura. Ter ficado de fora, mesmo que por acaso ou distração, tocou-me e fez-me questionar se o meu esforço é verdadeiramente reconhecido, ou se estou a fazer a diferença que tanto desejo. Aceitar que não sou perfeito ajuda-me a perceber que o caminho que estou a trilhar é feito tanto de conquistas como de desafios. No fim, as imperfeições fazem parte daquilo que somos – e são as pedras no caminho que nos permitem construir o castelo.

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