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Quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Atualizado: 25 de jan.

Aterrei agora em Copenhaga, e a sensação de voltar a esta cidade é sempre uma mistura de familiaridade e saudade. O ar fresco daqui, tão distinto do calor abrasador de Portugal, despertou-me imediatamente para a realidade de que as férias estão quase a acabar e que estou prestes a começar o meu último ano letivo na Dinamarca. Mas, antes de me focar no que está por vir, preciso de fazer uma pausa e refletir sobre o verão inesquecível que vivi em Portugal – o primeiro em três anos e desde o fim da pandemia. Foi um período de reencontros, de nostalgia e de redescoberta de partes de mim que, por vezes, permanecem adormecidas no ritmo acelerado da vida dinamarquesa.


Tudo começou a 20 de julho, dia em que tinha acabado de submeter o meu último exame escrito do ano letivo 2023/2024, quando o avião tocou o solo português e senti aquele calor familiar que só o verão em Portugal proporciona. Um detalhe engraçado sobre este voo foi que, pela primeira vez, viajei em primeira classe, pois a minha mãe encontrou uma promoção que permitia levar várias malas de porão – algo muito útil, dado que tinha muita tralha, como presentes de aniversário, roupa velha, diplomas e manuais escolares antigos, que já há muito tempo queria levar para Portugal. Nesta viagem, tive direito a comida, algo que nos voos da TAP entre Portugal e a Dinamarca normalmente não acontece, e a um lugar privilegiado à janela, com um pôr do sol magnífico. Como o avião estava cheio de jovens atletas, muit@s reconheceram-me do TikTok, e só me ria ao imaginar o que pensariam: “Ai, aquele deve achar-se só por ser um riquinho que nunca teve problemas na vida.” Pelo menos, era isso que eu pensaria se estivesse no lugar del@s. Mas não, só aos 23 anos é que me estreei em voos de primeira classe, e numa ocasião única.


Assim que cheguei, soube que este verão seria especial. A Ella, a minha grande amiga dinamarquesa, chegou pouco depois, trazendo consigo uma leveza e uma curiosidade que só ela consegue ter. Era a terceira vez que me visitava em Portugal, mas cada visita parecia sempre a primeira, como se houvesse sempre algo novo para descobrir junt@s. Passámos os primeiros dias a explorar Cascais: visitámos as praias com as suas águas cristalinas e areia dourada, experimentámos os restaurantes e cafés com brunches deliciosos, desde as tostas de abacate aos sumos naturais que ela tanto adorava. Passeámos pela marina, admirando os barcos atracados, e pelas ruelas antigas, cheias de História e charme. Perdíamo-nos em conversas intermináveis sobre a vida, o futuro, e todas as incertezas e esperanças que uma amizade verdadeira carrega. A Ella é como uma irmã mais velha para mim, alguém que entende os meus silêncios tão bem quanto as minhas palavras, e esta visita não foi exceção. O tempo com ela é sempre precioso, cheio de risos, confidências e aquele conforto de estar com alguém que nos conhece profundamente.


Durante os dias em que @s meus/minhas pais/mães e o meu irmão ainda estavam fora, a minha avó, que vive na casa abaixo da minha e é, desde sempre, uma das minhas maiores companheiras, tornou-se parte da nossa pequena aventura. Preparou-nos almoços e jantares com aquele toque especial que só ela sabe dar – pratos simples, mas cheios de sabor, feitos com amor e temperados com as suas histórias de juventude. A cada refeição, contava-nos como era crescer num Portugal tão diferente do que conhecemos hoje, histórias que cativavam tanto a Ella quanto a mim. No Dia d@s Avós, decidiu levar-nos à Praia Grande, em Colares, e enquanto guiava o carro pelas estradas sinuosas, era como se estivéssemos numa visita guiada. Ela fazia questão de falar em inglês com a Ella, para que a minha amiga dinamarquesa conseguisse entender cada detalhe e nuance das suas histórias. Ver a Ella a absorver cada palavra e cada vista com olhos de descoberta fez-me olhar para a minha terra de uma forma diferente, com um carinho renovado e uma gratidão profunda por poder partilhar estas memórias e este lugar tão especial.


Foi também durante esses dias que começámos a planear a grande festa em minha casa, que teria um duplo propósito: reunir amig@s de várias fases da minha vida e gravar cenas para a minha quinta paródia musical, “O Cavaleiro da Dinamarca”. A Ella e a minha avó foram incansáveis, ajudando-me em tudo, desde a escolha da decoração até à preparação dos pratos tradicionais que tod@s adoram. Optámos por um tema descontraído e festivo, com balões coloridos e luzes de fadas penduradas no jardim, criando um ambiente acolhedor e alegre. A noite da festa foi mágica. A casa encheu-se de rostos familiares – amig@s de infância, coleg@s do secundário, e até algumas pessoas que conheci através das redes sociais, como o TikTok e o Instagram, que decidiram juntar-se à celebração. Dançámos ao som de música portuguesa, iluminad@s por projetores decorados com papel de alumínio cor-de-rosa, que davam um toque psicadélico ao ambiente. Não era apenas uma celebração de verão, mas também uma homenagem a todas as ligações e memórias que têm moldado a minha vida até aqui.


Depois da festa, a Ella teve de voltar para Barcelona, onde trabalha desde o ano passado, e confesso que a casa ficou mais vazia sem a sua presença contagiante e a sua alegria de viver. A sua partida deixou um vazio, como se o verão tivesse perdido um pouco do seu brilho e da leveza que ela trazia consigo. No entanto, pouco depois, @s meus/minhas pais/mães chegaram, e foi como se uma nova fase do verão tivesse começado, cheia de momentos precisos em família. Enquanto o meu irmão ainda estava em Inglaterra a fazer a última leva de exames da sua licenciatura, eu e @s meus/minhas pais/mães criámos uma rotina matinal especial: todas as manhãs, passeávamos ao longo do paredão, com a brisa marítima a refrescar-nos, e fazíamos questão de mergulhar nas águas de Cascais, aproveitando a serenidade das manhãs para desfrutar da beleza do mar e da companhia uns/umas d@s outr@s. Estes momentos eram acompanhados por conversas que variavam entre o passado e o futuro, misturando memórias de infância com planos para os próximos meses. Após os mergulhos, íamos almoçar junt@s e explorar a gastronomia local.


Foi uma verdadeira celebração dos sabores portugueses: comemos de tudo, desde sardinhas grelhadas, a caracóis com molho de alho, passando pelo polvo à lagareiro, o meu prato favorito, e o frango assado que saboreávamos em almoços improvisados em casa da minha avó. Além dos momentos à mesa, aproveitei estes dias de lazer para finalizar as gravações da minha quinta paródia musical. Foi um processo intenso, mas profundamente gratificante. Ver a paródia ganhar forma, desde os primeiros esboços das letras até às gravações finais, foi como ver um sonho a tornar-se realidade. Esta paródia, inspirada na música “Robin” de Taylor Swift, tornou-se uma forma de expressar os meus sentimentos sobre as mudanças e os desafios de viver longe de casa e das coisas familiares. Houve um momento particularmente emocionante durante as gravações, quando filmei uma cena a comer um gelado do Santini com os meus dois sabores favoritos – chocolate e morango. Este simples gesto trouxe-me uma onda de nostalgia e emoção, lembrando-me da dificuldade de deixar para trás certas tradições do nosso passado para abraçar o futuro incerto.


Assim que o meu irmão regressou de Inglaterra, a nossa família, agora completa, partiu para Lagos, onde já tínhamos uma casa alugada e umas férias cuidadosamente planeadas pela minha mãe. Lagos foi um verdadeiro regresso às origens, um lugar repleto de memórias de infância que sempre serviu como um refúgio para a nossa família. Desde pequeno, lembro-me de ir à Praia de Porto de Mós, sentir a areia quente sob os pés e ouvir o som das ondas a bater nas rochas, trazendo consigo aquela sensação de liberdade e aventura. Estar em Lagos novamente, agora como adulto, foi como uma viagem no tempo, uma oportunidade de revisitar o passado com novos olhos e uma nova apreciação. Na praia, as manhãs eram sempre preenchidas com as deliciosas sandes preparadas pel@s meus/minhas pais/mães. Cada dia era uma surpresa: umas vezes, eram sandes mistas com ovo cozido e maionese; noutras, eram recheadas com ovo mexido e bacon; ou ainda, de atum ou frango com salada fresca, sempre com aquele toque especial que só @s meus/minhas pais/mães sabem dar. E, a seguir às sandes, uma bola de Berlim com creme vinha sempre a calhar.


Ao mesmo tempo que andava pelo Algarve, estava a organizar à distância, com a minha amiga Madá, um jantar de homenagem à reforma de duas das professoras que mais impactaram a minha vida escolar: Teresa Araújo e Teresa Borba. Ambas desempenharam papéis cruciais na minha formação, não só académica, mas também pessoal. Ao saber da reforma de ambas, coordenei com elas e com a Madá uma data que fosse conveniente para tod@s e escrevi a toda a minha turma da primária para @s convidar para um jantar no dia do meu regresso a Cascais. Após uma semana simples em família no Algarve, cheia de pequenos momentos de alegria – a sensação da água fria do mar a bater na pele, o sabor do sal nos lábios após um mergulho, e o prazer de saborear uma refeição caseira à beira-mar – voltámos para Cascais. Foi emocionante reencontrar antig@s colegas, alguns/algumas d@s quais não via há anos, partilhar cartas e memórias, e ver nos olhos das professoras o orgulho e a emoção pelo impacto que tiveram nas nossas vidas. Estes momentos de conexão e gratidão foram uma forma perfeita de fechar o meu verão com chave de ouro.


Ao mesmo tempo que andava pelo Algarve, estava a organizar à distância, com a minha amiga Madá, um jantar de homenagem à reforma de duas das professoras que mais impactaram a minha vida escolar: Teresa Araújo e Teresa Borba. Ambas desempenharam papéis cruciais na minha formação, não só académica, mas também pessoal. Ao saber da reforma de ambas, coordenei com elas e com a Madá uma data que fosse conveniente para tod@s e escrevi a toda a minha turma da primária para @s convidar para um jantar no dia do meu regresso a Cascais. Após uma semana simples em família no Algarve, cheia de pequenos momentos de alegria – a sensação da água fria do mar a bater na pele, o sabor do sal nos lábios após um mergulho, e o prazer de saborear uma refeição caseira à beira-mar – voltámos para Cascais. Foi emocionante reencontrar antig@s colegas, alguns/algumas d@s quais não via há anos, partilhar cartas e memórias, e ver nos olhos das professoras o orgulho e a emoção pelo impacto que tiveram nas nossas vidas. Estes momentos de conexão e gratidão foram uma forma perfeita de fechar o meu verão com chave de ouro.


Neste voo de regresso a Copenhaga, o meu coração vinha cheio. Cheio de gratidão por ter uma amiga dinamarquesa como a Ella, que me visita repetidamente porque genuinamente gosta de mim e aprecia o tempo que passamos junt@s; cheio de emoção por ver a minha professora Teresa Araújo, que me ensinou a ler, escrever e contar, olhar para mim com tanto orgulho, reconhecendo a pessoa em que me tornei; cheio de satisfação por ter concluído com sucesso o meu projeto de verão, a paródia “O Cavaleiro da Dinamarca”, que não só me permitiu expressar os meus sentimentos mais profundos, mas também fortalecer as ligações com aquel@s que fazem parte da minha vida criativa. O lançamento está marcado para terça-feira, o mesmo dia em que celebro cinco anos na Dinamarca – um marco importante na minha jornada pessoal e profissional. Acima de tudo, sinto-me feliz por ter uma família unida e harmoniosa, desde @s meus/minhas pais/mães e o meu irmão até aos/às meus/minhas prim@s, ti@s, avós e amig@s próxim@s, tod@s a contribuírem para esta rede de apoio e carinho que é tão essencial para mim.

 
 
 

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