Terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.
A cerimónia dos Grammys deste ano, além de enaltecer as magnificências do mundo musical, representou para mim uma transição do passado para o presente, espelhando as minhas próprias vitórias e desafios. Taylor Swift, ao receber o seu 13.º Grammy e deixar o mundo boquiaberto com a revelação de um álbum surpresa, “The Tortured Poets Department”, com estreia prevista para 19 de abril – um gesto que apanhou tod@s de surpresa, especialmente aquel@s de nós que foram iludid@s por Easter Eggs alusivos à era “reputation (Taylor’s Version)”, que ainda estará por vir –, e ao bater o recorde de mais prémios de Álbum do Ano ganhos com “Midnights”, exemplificou a capacidade de reescrever narrativas, de superar o que parece impossível, um eco da jornada que decidi empreender.
Há precisamente um ano, enfrentei o dia mais sombrio da minha vida, um ponto de não retorno marcado por uma reviravolta decisiva. No dia 1 de dezembro de 2022, vi-me derrotado nas eleições para Presidente da CBS Students, após ter dedicado três intensos anos ao cargo de Diretor de Rede. Durante esse tempo, envolvi-me profundamente em inúmeras iniciativas, expandindo as minhas responsabilidades e aprofundando o meu conhecimento com o decorrer dos anos. A minha experiência foi enriquecida por desafios e sucessos que moldaram a minha visão e abordagem à liderança.
Costumo encarar as rejeições com uma certa resiliência, porém, esta perda revelou-se particularmente amarga. O meu oponente não era apenas um rival qualquer; representava a única verdadeira competição que eu havia enfrentado. Ambos partilhávamos um nível semelhante de envolvimento e dedicação à organização, cada um com os seus pontos fortes. Eu destacava-me pelas minhas habilidades sociais e capacidade comunicativa, vital para estabelecer conexões e construir pontes dentro e fora da nossa comunidade. Por outro lado, ele sobressaía na digitalização e na gestão eficiente de dados, competências essenciais na era moderna da informação.
Apesar de nenhum de nós possuir uma vasta experiência em cargos de liderança de topo, estávamos ambos empenhados em superar essas limitações, introduzindo novas visões e ideias inovadoras na associação. A nossa competição adquiria uma dimensão ainda mais relevante pelo facto de sermos os dois estudantes internacionais, eu de Portugal e ele da República Checa, desafiando assim a tradição histórica de lideranças dinamarquesas na CBS Students. Esta eleição ultrapassava a simples dualidade entre ganhar ou perder; representava uma chance de derrubar barreiras e instituir um precedente para a inclusão e diversidade no âmbito da liderança estudantil.
No fatídico dia 1 de dezembro de 2022, ao enfrentar a derrota nas eleições para a Presidência da CBS Students, recorri às redes sociais para partilhar o meu desalento, numa mensagem destinada exclusivamente ao meu círculo de seguidor@s portugues@s. Naquele desabafo, partilhei a minha frustração por ter estado tão perto de inscrever o meu nome na História, expressando a minha tristeza pelo facto de o primeiro Presidente internacional da associação de estudantes da CBS não ser português, mas sim checo. É crucial sublinhar que as minhas palavras brotaram de um sentimento de profundo amor pelo meu país, um traço que tenho sempre procurado evidenciar na minha escrita, recorrendo à pátria como uma constante fonte de inspiração e orgulho.
A reação não se fez esperar. Fui rapidamente inundado por uma onda de críticas por parte d@s meus/minhas colegas da CBS Students, acusado de não enfrentar os conflitos diretamente e de utilizar as redes sociais como válvula de escape para as minhas frustrações. Mais gravemente, fui etiquetado de xenófobo, sob a alegação de que o meu comentário sugerira uma preferência nacionalista para a Presidência da CBS Students. Este episódio culminou com a perda da minha posição de Diretor de Rede, um desfecho prematuro para um mandato que deveria estender-se até ao dia 31 do mês.
A situação agravou-se quando, apenas um mês após a eleição, o recém-eleito Presidente renunciou ao cargo. Contrariamente ao que seria esperado, a organização optou por abrir novamente as candidaturas para uma Assembleia Geral extraordinária, em vez de me atribuir automaticamente a posição, dada a minha colocação como segund@ mais votad@ nas eleições anteriores. A derrota subsequente, no dia 6 de fevereiro de 2023, contra um candidato consideravelmente menos qualificado e sob o peso de acusações infundadas de xenofobia, representou a gota d’água.
Desesperado, recorri à internet para reservar o primeiro voo disponível e escapei para Portugal, distanciando-me temporariamente do turbilhão de acontecimentos. Esse intervalo atuou como um ponto de inflexão, proporcionando-me a oportunidade de reencontrar o equilíbrio e traçar um novo rumo. A minha participação numa conferência prestigiada em Harvard, a Harvard National Model United Nations (HNMUN), bem como o reencontro com a minha família de acolhimento americana, com quem não me encontrava há cinco anos e que expressou orgulho nas minhas conquistas, assinalou o começo de uma nova fase de crescimento e sucesso.
Ao regressar dos Estados Unidos, iniciei uma trajetória ascendente em Copenhaga, assumindo papéis de liderança significativos. Tornei-me Presidente da CBS UN, abracei o papel de ISA, mantive-me na Direção do CBS International Choir, e participei ativamente no Conselho Académico e da Direção do meu curso de mestrado, um programa pioneiro na sua implementação. Este percurso culminou com um estágio na PlanBørnefonden. Esta metamorfose na minha vida foi alimentada pelo apoio incondicional de figuras-chave, como a minha amiga Gargi, @s meus/minhas amig@s portugues@s, e, evidentemente, a minha família, que foram pilares de força e encorajamento nos momentos mais desafiantes.
Refletindo sobre o último ano, é evidente que a adversidade foi um catalisador para o meu crescimento e sucesso. A determinação em não desistir, mesmo quando confrontado com as maiores humilhações, reforçou a minha resiliência e a minha capacidade de superação. A jornada até aqui, embora marcada por momentos de profunda angústia, foi também pontuada por vitórias significativas e progresso constante. Hoje, olhando para trás, posso afirmar com convicção que os desafios enfrentados foram fundamentais na construção do líder que me tornei. Agradeço a tod@s @s que acreditaram em mim, mesmo quando o caminho parecia incerto. Este capítulo da minha vida é uma prova da força do espírito humano e da capacidade de transformar os obstáculos em degraus para o sucesso. A fruta podre cai sozinha.

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