Sábado, 6 de janeiro de 2024
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.
Ano novo, vida nova, nova. Mas não para mim, não para mim. Recebi 2024 como de costume: organizando uma festa estrondosa em minha casa, uma celebração que, não nego, acabou por me levar a um estado de coma alcoólico. A minha conduta nesta ocasião não refletiu o comportamento que se espera de um futuro Presidente da República. Contudo, vejo a passagem de ano como um momento de transição marcante. 2023? Já se esfumou na neblina da minha memória. Agora, o meu foco está inteiramente voltado para 2024, enfrentando os desafios e antecipando as conquistas que virão com uma mistura de ansiedade e entusiasmo.
O ponto alto da noite, antes da turbulência alcoólica, foi sem dúvida a celebração no coração de Cascais. Lá estava eu, no centro da vila, imerso na multidão, os olhos fixos no céu iluminado pelos fogos de artifício. Carlos Carreiras, o estimado Presidente da Câmara de Cascais, superou todas as expectativas este ano, redimindo-se esplendidamente do desapontamento do ano anterior. O espetáculo foi nada menos que um deslumbre visual: não só fomos brindad@s com uma dança sincronizada de drones a iluminar o céu noturno, mas também um discurso tocante e inspirador. Falou-se das origens humildes de Cascais, uma vila que orgulhosamente balança entre a sua herança real e a simplicidade d@s seus/suas pescador@s, criando um elo emocional com cada um(a) de nós, cascalenses. Foi uma mistura perfeita de tecnologia moderna e tradição, um verdadeiro tributo à nossa rica História e um brinde vibrante ao futuro que nos aguarda.
Nos dias que se seguiram, vivi momentos de despedida marcados por uma sensação agridoce com o meu pai e o meu irmão. Eles regressaram aos seus respetivos países de residência antes de mim, deixando-me a aproveitar sozinho os últimos dias em Portugal. Bem, não totalmente sozinho, pois a minha mãe ainda estava comigo, prestes a tornar-se a última membra da nossa família internacional a partir. Ao arrumar o meu quarto pela última vez, um turbilhão de pensamentos e memórias inundou-me a mente. Refleti sobre todas as atividades planeadas para estas férias que, por falta de tempo, ficaram por realizar. Visualizei as saídas noturnas e as viagens de carro por Portugal, a lugares como Fátima, Caldas da Rainha ou Porto, que não aconteceram. Estas experiências, agora não vividas, permanecem como desejos inalcançados, alojados nos recantos da minha imaginação.
Por outro lado, dediquei bastante tempo aos meus avós, algo que prezo imenso. Viver fora de Portugal durante mais de quatro anos torna palpável a falta de momentos com el@s. Durante a minha estadia, esforcei-me por criar memórias especiais com cada um(a): acompanhei a minha avó Assunção à missa e a passeios inesquecíveis em Cascais, mergulhei nas histórias fascinantes dos meus avós Carlos e Fátima, partilhei risadas e abraços calorosos com o meu avô Casimiro, e saboreei um almoço cheio de carinho de Ano Novo com a minha tia-avó Guida. Estes momentos com os meus avós e outr@s familiares são tesouros que levarei comigo para sempre, ultrapassando barreiras de distância e tempo.
Ontem, fui ao cinema com a minha mãe para ver “Wish: O Poder dos Desejos”, a nova animação da Disney que celebra o seu centésimo aniversário. Este filme, ambientado no reino mágico de Rosas, narra a história de Asha, uma jovem que desafia o sistema ao questionar as promessas do rei Magnífico em relação aos desejos do povo. A obra é uma combinação perfeita de elementos visuais e narrativos clássicos da Disney com inovações técnicas e valorização da diversidade, refletindo tanto o legado quanto o futuro do estúdio. A experiência de assistir a “Wish” foi uma verdadeira viagem pela magia e nostalgia da Disney, fortalecendo ainda mais os laços familiares através de histórias e personagens que marcaram tanto a minha infância quanto a História do cinema.
Relativamente aos/às amig@s com quem não consegui estar nestas férias, se algum(a) del@s se queixar da nossa falta de encontros, terá de compreender as minhas prioridades. Se considerarem isso motivo de reclamação, revela um certo egoísmo da parte del@s, talvez até um traço de toxicidade nas suas atitudes. A verdade é que, se alguém valoriza tanto a minha companhia ao ponto de querer que eu sacrifique o meu precioso tempo em família, essa pessoa também deveria estar disposta a um esforço semelhante. Porque não me visitar em Copenhaga? O meu quarto está sempre aberto para receber amig@s e partilhar momentos junt@s, mesmo longe de Portugal.
Aos 23 anos, encontro-me a iniciar a minha jornada como estudante de mestrado, uma experiência que encaro com grande entusiasmo e determinação. Em Copenhaga, esta cidade que adotei como meu lar longe de Portugal, estou imerso num ambiente académico vibrante e numa cultura rica e diversa. O ano de 2024 representa para mim um período crucial de crescimento e aprendizagem. Estou empenhado em explorar ao máximo as oportunidades culturais e educativas que Copenhaga tem para oferecer, com o objetivo de enriquecer os meus conhecimentos e alargar os meus horizontes. Estou particularmente focado em aprimorar as minhas habilidades linguísticas e manter-me atualizado sobre os acontecimentos políticos e sociais, tanto em Portugal como no mundo. Acredito firmemente que um(a) líder eficaz deve estar bem informad@ e ser capaz de compreender várias perspetivas.
Em 2024, a política portuguesa revela-se diversificada e dinâmica, marcada por mudanças significativas tanto mas políticas governamentais quanto no panorama eleitoral. Com a demissão de António Costa, o PSD superou o PS em intenções de voto, segundo um barómetro da Intercampus. Este cenário indica uma alteração na dinâmica política do país, com o PSD a ganhar terreno. Paralelamente, o partido Chega consolidou-se como a terceira força política, crescendo dez pontos percentuais em relação às últimas legislativas. Este crescimento do Chega sugere uma mudança no espetro político português, com um aumento da representatividade da direita. Partidos como o Bloco de Esquerda e os liberais também registaram um aumento nas intenções de voto, enquanto a CDU viu um declínio.
O panorama da política global em 2024 está marcado por desafios e mudanças significativas. As tensões geopolíticas aumentam, especialmente em regiões conflituosas. A crise climática permanece central, com esforços intensificados de várias nações para combater as mudanças climáticas através de políticas ambientais rigorosas. A pandemia da COVID-19, mais controlada, continua a influenciar as políticas de saúde e económicas. As questões de cibersegurança e inteligência artificial ganham relevância, suscitando debates sobre regulamentação e ética. Movimentos populistas e nacionalistas influenciam as eleições e políticas em vários países, refletindo o descontentamento com as estruturas políticas tradicionais e o desejo por mudanças no espetro político global.
Hoje, Dia de Reis, ao refletir sobre o início de 2024 e a minha vida em Copenhaga, reconheço o simbolismo desta data. Tal como os Reis Magos que celebraram um novo começo, também eu estou numa jornada para moldar o meu futuro. Este dia reforça a minha resolução de perseguir metas e sonhos com sabedoria e visão. Ao fechar esta entrada no meu diário, creio que cada passo, cada descoberta e aprendizagem em Copenhaga, é um valioso presente na minha jornada para me tornar um líder mais capaz e consciente. Inspirado pelas celebrações do Dia de Reis pelo mundo, sigo o meu caminho com esperança, empenho e abertura para as infinitas possibilidades que este ano traz. Pelo rei que hoje sou, já sei para onde vou.

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