Sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
- Duarte Carrasco
- 3 de mai.
- 7 min de leitura
Atualizado: 1 de jul.
Depois da consolidação da identidade visual e da estrutura do site, a próxima prioridade será montar uma operação logística que acompanhe o nível de profissionalismo que queremos transmitir. Gerir a logística dos envios será uma das tarefas mais desafiantes deste projeto, não só pelo impacto direto que tem na margem de lucro, mas também pela exigência constante de precisão e fiabilidade. Cada encomenda será mais do que um simples pacote – será a materialização da confiança depositada pela pessoa que a fez. E é precisamente por isso que não podemos correr riscos nesta frente. As recolhas domiciliárias programadas passarão a ser a norma. É impensável perder horas a deslocar-nos fisicamente para entregar encomendas, ou desperdiçar energia em filas e burocracias. O tempo que poupamos com um sistema de recolha estruturado poderá ser redirecionado para tarefas estratégicas que realmente fazem o negócio crescer. Através de plataformas como a Ecoparcel, pretendemos garantir um fluxo ágil, fiável e adaptável. Cada detalhe do envio – desde o tipo de caixa usada até à etiqueta afixada – será revisto com atenção.
Se há algo que aprendi sobre o empreendedorismo é que o verdadeiro trabalho começa depois da venda. Ter um bom produto não é suficiente; garantir uma experiência de pós-venda empática, rápida e eficaz é o que transforma comprador@s ocasionais em defensor@s da marca. Vamos construir um sistema de atendimento ao cliente que não seja apenas funcional, mas genuinamente atencioso. Cada email deverá ser respondido com empatia e prontidão. Cada questão – por mais repetitiva ou até absurda que nos possa parecer – deverá ser tratada com respeito. Vamos criar templates para agilizar as respostas, sim, mas sem nunca cair na frieza robótica de quem trata pessoas como bilhetes de suporte. A regra será simples: responder como gostaríamos de ser tratad@s. Porque, no fim, as marcas que perduram são aquelas que cultivam relações. E um pedido de esclarecimento mal gerido, um reembolso negado sem explicação ou uma reclamação ignorada podem pesar mais do que todas as qualidades do produto. O serviço ao cliente será um dos nossos maiores investimentos – não em dinheiro, mas em cuidado.
A fase que se segue ao lançamento raramente corresponde às imagens de celebração que tantas vezes se veem nas redes sociais. O que se partilha é o champanhe, os unboxings felizes, as mensagens de “esgotado em 24h” – mas o que não se mostra é o silêncio que muitas vezes chega logo a seguir. Há um certo encantamento ao ver o Bubtex nas mãos das pessoas, ao saber que há alguém, algures, a abrir uma caixa que nasceu das nossas decisões, das nossas reuniões, dos nossos cansaços acumulados. Mas essa sensação é rapidamente acompanhada por uma nova camada de ansiedade. Começamos a questionar tudo: estará o site suficientemente claro? Terá a embalagem causado a impressão que imaginámos? A experiência de unboxing correspondeu às nossas expectativas ou ficou aquém? E se tivermos esquecido algum detalhe importante, algo aparentemente insignificante que, à luz d@ consumidor(a), faz toda a diferença? A exposição traz consigo uma vulnerabilidade nova – uma sensação quase física de estar a ser observad@. E, nesse estado, a autocrítica ganha volume. É como se o produto deixasse, do nada, de nos pertencer só a nós.
Para sobreviver a esse turbilhão, será crucial cultivar uma mentalidade de crescimento – não como um cliché inspiracional, mas como uma ferramenta prática de saúde emocional. Aceitar, de forma realista, que a perfeição não existe à primeira tentativa e que o aperfeiçoamento é um processo contínuo. Nenhum detalhe, por mais cuidado que tenha sido, escapará totalmente a críticas ou a mal-entendidos. E é precisamente aí que reside a maturidade do projeto: na capacidade de reconhecer o que precisa de ser ajustado sem que isso abale a fundação emocional de quem o criou. Teremos de reaprender a lidar com os nossos próprios padrões de exigência. O entusiasmo que nos impulsiona agora nos primeiros meses – aquele impulso criativo quase irracional que nos faz acreditar que tudo é possível – dará inevitavelmente lugar a uma fase mais estável, mais sóbria, onde o que conta não é tanto a velocidade, mas a consistência. E é nessa rotina, onde já não há euforia nem novidade constante, que o verdadeiro compromisso será posto à prova. O desafio é manter a dedicação quando sobra o trabalho de manter um negócio vivo.
É também nesta fase pós-lançamento que a nossa resiliência emocional será mais testada. Porque, depois da adrenalina do “foi para o ar”, chega o silêncio. E nesse silêncio, surgem todas as dúvidas acumuladas que antes eram abafadas pelo ritmo acelerado do fazer. Será que comunicámos bem a proposta de valor? Será que as pessoas perceberam o propósito do produto? Será que o posicionamento escolhido faz sentido para o público que queremos alcançar? Estas perguntas surgem sem aviso, quase sempre em momentos de pausa, quando o frenesim abranda e a mente tem finalmente espaço para questionar. E, se não estivermos preparad@s, esse espaço pode facilmente transformar-se num terreno fértil para inseguranças. Por isso, o que se impõe nesta fase não é uma nova estratégia de vendas, nem uma alteração de produto imediata, mas sim um trabalho de maturação interna. Será essencial aprender a distinguir entre aquilo que são falhas pontuais – corrigíveis com atenção e tempo – e aquilo que, na verdade, é apenas ruído emocional. Nem toda a dúvida merece resposta imediata. Nem toda a crítica exige reformulação.
Nessa mesma lógica de confiança gradual, a nossa abordagem ao marketing terá de ser orgânica, quase artesanal. Não partimos de uma base de seguidores consolidada nem de uma comunidade pré-existente – e isso, longe de ser um obstáculo intransponível, é uma oportunidade rara para construir algo genuíno, livre de filtros e artifícios. A nossa intenção é simples: documentar o processo em vez de apenas promover o produto. Mostrar os bastidores do Bubtex com transparência – desde os dias caóticos em que tudo parece correr mal até aos pequenos triunfos que passam despercebidos a quem vê apenas o resultado final. Queremos partilhar decisões difíceis, dilemas éticos, testes falhados, momentos de dúvida e de epifania. Porque, mais do que um objeto à venda, o Bubtex é um percurso – e quem se identifica com a jornada, identifica-se com o produto. Não esperamos viralidade imediata, mas sim uma adesão progressiva, feita de empatia e reconhecimento. Ao abrir a porta para que o público nos acompanhe desde o início, mesmo sem termos ainda grandes conquistas para mostrar, estamos a plantar as sementes de uma relação duradoura.
Ainda assim, por mais autêntico que seja o nosso conteúdo orgânico, haverá um momento em que teremos de fazer apostas mais estratégicas – e isso incluirá inevitavelmente o investimento em tráfego pago e colaborações com microinfluenciador@s. Mas nada será feito por impulso. Cada euro investido terá de corresponder a uma decisão informada, sustentada por testes prévios e por um entendimento profundo do nosso público. Em vez de criar anúncios genéricos ou campanhas artificiais, a ideia será simples: observar atentamente que tipo de publicações – sejam vídeos, imagens ou frases – geram mais interação de forma natural, mesmo que num círculo reduzido. Será a partir desses sinais que construiremos os nossos anúncios pagos. Não queremos amplificar o ruído – queremos amplificar o que já ressoa. Com influenciador@s, a lógica será semelhante: mais do que números de seguidores, interessar-nos-á o grau de envolvimento, a credibilidade junto do público, a coerência com os nossos valores. Investir em visibilidade, sim – mas sempre com a intenção de gerar confiança, e não cliques.
O que começou como um impulso quase instintivo, um clique num formulário numa tarde banal de setembro, acabou por tornar-se numa espécie de laboratório íntimo, onde fui confrontado com a complexidade do mundo real. Ainda só vou no começo do Deep Green Innovators Programme, ainda não lançámos o produto, ainda nem sequer fechámos a contratação d@ designer – e, mesmo assim, já carrego comigo uma bagagem de valor incalculável. Foram meses de decisões tomadas com mais intuição do que certeza, de momentos de frustração onde era preciso encontrar ânimo para continuar, de reuniões improvisadas em horários apertados, de tarefas acumuladas em paralelo com outras responsabilidades. E o que fica de tudo isso não são apenas os resultados que virão – é uma espécie de musculatura invisível que se vai formando: a paciência para lidar com os ritmos imprevisíveis, a escuta ativa para acolher opiniões divergentes, a coragem de assumir que não se sabe tudo e, ainda assim, avançar. E talvez seja esse o maior presente que o empreendedorismo me está a oferecer: a possibilidade de me tornar alguém mais atento, mais resiliente.
Chegar até aqui não foi o fim de nada – foi apenas o princípio de uma nova etapa. O Bubtex ainda está em incubação, e embora o produto já tenha forma, ainda não tem rosto. Falta-lhe identidade visual, falta-lhe linguagem própria, falta-lhe presença no mundo – e é precisamente isso que mais me entusiasma agora. O objetivo nunca foi lançar um produto apressadamente; o objetivo sempre foi lançar algo que tivesse alma. Algo que não se limitasse a resolver um problema técnico, mas que, ao mesmo tempo, transmitisse uma visão. E isso requer tempo. Requer paciência, escuta e sensibilidade. Estamos também na fase delicada de testar o protótipo, e isso exige uma humildade radical: a humildade de ouvir o feedback que pode contrariar as nossas certezas, de aceitar os dados que desmontam as nossas suposições, e de reformular o que for preciso, quantas vezes for necessário. Testar não é um simples processo técnico – é uma atitude constante de aprendizagem, de escuta ativa, de curiosidade genuína por aquilo que o mundo tem para nos devolver. E isso, por si só, já é uma grande lição de vida.
O que mais me entusiasma é a consciência de que ainda estamos apenas no início. Ainda estamos a dar os primeiros passos em tantas frentes – e, mesmo assim, já aprendemos tanto. E é precisamente essa consciência que me dá uma espécie de paz. Porque se já conseguimos chegar até aqui, entre dúvidas, noites mal dormidas e desafios inesperados, então imagina onde poderemos chegar com tempo, persistência e foco. Não sabemos ainda se o Bubtex será um sucesso imediato, ou se será um daqueles projetos que precisa de crescer em silêncio, devagarinho, até encontrar o seu momento certo. Mas isso já não me assusta. O mais importante, para mim, é saber que estou a construir algo em que acredito profundamente – com valores sólidos, com propósito, com integridade. Algo que está a ser criado com o coração e com o cérebro. E, no fundo, é essa mistura de convicção e vulnerabilidade que me faz sentir que, independentemente do desfecho, isto já valeu a pena. Porque mais do que criar um produto, estou a criar uma versão de mim mesmo que não desiste, que não cede ao medo, que ousa continuar.

Comentários