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Sexta-feira, 22 de novembro de 2024

9. Deixar ir algumas amizades faz parte da vida.

No 10.º ano, fazia parte de um grupo de amig@s com quem partilhava todos os intervalos. Éramos inseparáveis, sempre a inventar piadas, a planear tardes junt@s e a imaginar como seria o futuro. Mas, com o passar do tempo, os nossos caminhos começaram a divergir. Enquanto eu sonhava em estudar numa universidade de topo e, meio a brincar, me imaginava como futuro Presidente de Portugal, el@s preferiam tardes passadas a fumar ganzas e conversas que, para mim, já não tinham significado.


Não houve uma rutura nem uma discussão dramática; simplesmente deixámos de partilhar os mesmos objetivos e motivações. Inicialmente, foi difícil aceitar. Perguntava-me se o problema era meu, se estava a abandonar quem sempre esteve ao meu lado. Mas, com o tempo, percebi que as pessoas mudam – e isso é natural. Não desvalorizo os momentos que vivemos há uma década, porque contribuíram para o que sou hoje. Deixar ir não significa apagar o passado; é respeitar quem somos agora, sem esquecer o que fomos.

 

10. O medo muitas vezes significa que estás a crescer.

Lembro-me perfeitamente da primeira apresentação que fiz numa sala de aula na CBS, quando me candidatei pela primeira vez à Direção de Curso, ainda durante a licenciatura. Era uma sala cheia, com mais de 200 pessoas, e só de imaginar o microfone de faixa de cabeça ajustado às orelhas e o comando de apresentação na mão, as luzes apontadas para mim e os olhos de toda a gente fixos em cada palavra, o coração acelerava e as mãos tremiam. Pensei em desistir da ideia de apresentar os diapositivos que tinha preparado com tanto esforço. Temia que rissem da minha fotografia de campanha ou dos meus maneirismos – inseguranças que ainda carregava do passado. Mas algo dentro de mim insistia: “Se isto te assusta tanto, é porque importa.”


No dia da apresentação, a primeira frase saiu-me trémula. Por um instante, temi que não conseguisse continuar. Mas, ao olhar para o público, vi rostos atentos, ali para me ouvir, não para me julgar. A cada diapositivo que avançava, fui ganhando mais confiança e, no final, terminei o discurso com um forte aplauso e um alívio imenso.


Foi nesse momento que percebi que o medo é, muitas vezes, um sinal de crescimento. É um indicador de que estamos a sair da nossa zona de conforto e a desafiar os nossos próprios limites. Apesar disso, naquele ano, não fui eleito membro da Direção de Curso. Voltei a candidatar-me nos dois anos seguintes, em Negócios Internacionais, e fui eleito em ambos. Hoje, já perdi a conta às mais de 100 apresentações que fiz em salas de aula ou perante audiências ainda maiores. Candidato-me a cargos onde alun@s de toda a universidade votam, e não apenas do meu curso.


O medo nunca desaparece completamente, mas aprendi que não está ali para nos travar. Ele desafia-nos a arriscar, a descobrir do que somos realmente capazes e, acima de tudo, a crescer.

 

11. É normal mudar de opinião.

No início da licenciatura, nunca me imaginei a escrever publicamente sobre algo tão técnico como as mudanças nos direitos de acesso a mestrados para estudantes de licenciatura da CBS. Era um tema que me parecia distante e irrelevante enquanto estudante. Contudo, no último ano do curso, enquanto membro do Conselho Académico e da Direção de Curso pela segunda vez, decidi explorar este assunto. Escrevi um artigo de opinião que acabou por ser publicado no jornal independente da universidade, o CBS Wire. O objetivo do texto era desmistificar o novo programa de mestrado em Gestão Empresarial e Economia, que passaria a ser a nova progressão académica garantida para @s estudantes de Negócios Internacionais que procurassem continuidade – o mesmo curso que, ironicamente, mais tarde se tornaria o meu próprio mestrado.


Lembro-me de hesitar antes de submeter o artigo. Questionei-me se valeria a pena expressar uma opinião pública sobre algo tão complexo e potencialmente controverso. Afinal, a CBS estava a alterar um sistema que garantia acesso a um de 14 diferentes mestrados para @s seus/suas estudantes de licenciatura, substituindo-o por um único mestrado de continuidade garantida. Pensei: “Será que vale a pena meter-me nisto? E se isto me trouxer críticas? E se me esquecer de uma perspetiva importante e acabar por estar errado sobre algo, e isso me perseguir no futuro?”. Apesar das dúvidas, senti que era importante trazer o tema à discussão. Escrevi o artigo com base no que sabia, fruto de inúmeras reuniões da Direção de Curso sobre a construção e implementação deste novo mestrado.


O que nunca esperei foi o impacto que o texto teria. Até hoje, várias pessoas já me disseram que escolheram o mesmo mestrado que eu porque leram o meu artigo. Para além disso, quando o CBS Wire infelizmente fechou por falta de financiamento, o meu artigo, por ser o último a ser lançado antes do término do jornal, permanece até hoje no topo do site, quase como uma marca imortalizada na História da CBS. Se eu não tivesse escrito esse artigo, o destaque final no site teria ficado para o artigo de opinião do meu “arqui-inimigo”, a pessoa que se tornou Presidente no ano em que saí da associação de estudantes. Só por isso, já valeu a pena.


Essa experiência ensinou-me algo valioso: aquilo que juramos nunca fazer hoje pode, um dia, tornar-se parte essencial do nosso percurso. As opiniões mudam, tal como nós, e isso não é sinal de fraqueza, mas de crescimento. Guardar espaço para mudar de ideias é dar lugar ao inesperado – e é nisso que muitas vezes se escondem as melhores oportunidades da vida.

 

12. A gentileza vale sempre a pena.

No verão de 2023, estava em Cascais, a aproveitar uma pausa num dos meus cafés preferidos junto à praia. Enquanto revia mensagens no Instagram, deparei-me com um pedido que se tinha perdido na caixa de entrada. Era de uma rapariga, estudante do secundário, que tinha encontrado o meu perfil enquanto procurava histórias de quem, como eu, tinha decidido estudar fora de Portugal. Na mensagem, ela confessava sentir-se perdida e insegura quanto ao futuro, perguntando como tinha dado o salto para estudar no estrangeiro.


Respondi de imediato. Partilhei algumas dicas sobre candidaturas, bolsas de estudo e, acima de tudo, encorajei-a a acreditar que era possível. Pensei que seria apenas uma troca rápida de mensagens, algo que ela talvez esquecesse com o tempo. Mas, algumas semanas depois, recebi outra mensagem dela. Contava que tinha assistido a uma palestra sobre universidades internacionais, inspirada pela nossa conversa, e que já estava a preparar-se para enviar candidaturas. “Obrigado por me responderes. Nunca pensei que alguém como tu fosse perder tempo a falar comigo, e fizeste-me acreditar que era possível.”


Achei aquilo maravilhoso, mas não pensei mais no assunto. Até que, em agosto deste ano, enquanto facilitava o Welcome Event para @s nov@s estudantes internacionais na CBS, vi uma cara familiar. Era ela. Sem que eu soubesse, tinha sido aceite na mesma universidade que eu. Agora estudamos no mesmo campus, e ainda me lembro do sorriso dela ao dizer: “Estou aqui porque acreditaste em mim quando eu não acreditava.”


Esse momento confirmou algo que a vida já me tinha ensinado: a gentileza é uma semente que plantamos sem esperar nada em troca, mas que pode florescer de formas inesperadas. Um gesto simples pode transformar não apenas o dia de alguém, mas também o seu futuro. E, no fim, acabamos por nos transformar também.

 

13. Define limites para te protegeres.

No secundário, em Cascais, parecia haver sempre alguém a pedir os meus apontamentos antes de um teste ou a minha ajuda para terminar um trabalho de grupo. Eu gostava de ajudar – havia algo gratificante em partilhar conhecimento e sentir que podia fazer a diferença. Mas, com o tempo, comecei a perceber que, em algumas situações, podiam estar a aproveitar-se.


Uma noite, uma colega enviou-me mensagens a pedir explicações detalhadas sobre a matéria... eram duas da manhã. Estava exausto depois de um dia cheio de aulas e estudo, mas senti-me obrigado a responder para não parecer antipático. Enquanto digitava as respostas, de olhos pesados e mente lenta, apercebi-me de que algo não estava certo.


Na manhã seguinte, com apenas umas poucas horas de sono e ainda mais cansaço acumulado, decidi que não podia continuar assim. Comecei a dizer “não” quando precisava de tempo para mim e a estabelecer limites claros: ajudaria sempre que pudesse, mas não a qualquer custo.


Aprendi que definir limites não significa ser egoísta. Pelo contrário, é um ato de autocuidado que nos permite preservar a nossa energia e dar o melhor de nós sem nos desgastarmos. E, acima de tudo, percebi que quem realmente se importa connosco respeita esses limites – porque o respeito começa em nós própri@s.

 

14. Admitir que estás errad@ não é fraqueza.

Quando tinha 14 anos, participei num concurso de talentos na escola. Escolhi uma música que adorava e, cheio de confiança, ensaiei sozinho durante semanas. No dia da apresentação, subi ao palco convencido de que ia impressionar, mas a minha voz falhou em momentos cruciais e a reação do público foi… má.


Mais tarde, uma colega sugeriu que procurasse ajuda para melhorar. No início, aquilo feriu o meu orgulho – achava que podia fazer tudo sozinho. Mas, no fundo, sabia que ela tinha razão. Inscrevi-me num coro e comecei a ter aulas de canto.


Reconhecer as nossas limitações é o primeiro passo para as superar, e essa é uma das lições mais valiosas da vida.

 
 
 

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