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Sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Hoje, Donald Trump fez História ao tornar-se o primeiro Presidente dos Estados Unidos a assumir o cargo com um cadastro criminal. A condenação por 34 crimes de falsificação de registos empresariais poderia ter resultado numa multa avultada ou até quatro anos de prisão. No entanto, o tribunal optou por não aplicar qualquer pena. Este desfecho, embora controverso, não o impede de continuar a concorrer à Presidência, apesar de restrições impostas como não poder votar, possuir armas ou viver próximo de escolas. É um momento inédito e, ao mesmo tempo, desconcertante para um país que, na minha opinião, é o mais influente do mundo em termos económicos e políticos, um verdadeiro palco onde decisões impactam cada canto do planeta.


Este episódio trouxe-me à mente a ideia de como a liderança é, por vezes, um reflexo das contradições de uma sociedade. Os Estados Unidos, frequentemente vistos como o berço da democracia moderna, permitem que alguém com um cadastro criminal assuma o cargo mais poderoso do mundo, enquanto a sua população se divide entre admiração e desconfiança. Isto faz-me questionar como é que líderes em posições tão altas continuam a quebrar moldes e a desafiar convenções, e até que ponto uma figura política se torna, paradoxalmente, tanto um símbolo de falhas humanas como de ambição desmedida. Num contexto português, será que @s eleitor@s um dia se deixariam conquistar por uma figura que se desvia das normas tradicionais de um(a) polític@? Mais ainda, como é que a perceção de moralidade e competência se equilibra nas expectativas d@s votantes? A História, como me parece, nem sempre recompensa o impecável, mas sim quem consegue narrar uma história que capte a atenção e mobilize corações, por mais imperfeita que seja. Como seria eu percecionado, com as minhas particularidades, nesse cenário?


Será que, um dia, @s portugues@s irão valorizar mais um(a) candidat@ que pareça “terra a terra”, alguém com quem se identifiquem facilmente? Esta pergunta surge-me frequentemente, especialmente quando analiso o perfil tradicional de líderes que conquistam a maioria. Seriam @s votantes atraíd@s por alguém que adote uma linguagem mais casual, use roupas menos formais, ou até se permita cometer pequenos deslizes públicos que humanizem a sua imagem? É intrigante refletir sobre isto, porque, atualmente, sinto-me tão distante dessa realidade. Sempre fui rigoroso comigo mesmo, desde a forma como me apresento até aos princípios que defendo. Nunca proferi ou escrevi um palavrão – ouvir um já é o suficiente para me deixar desconfortável. Esta diferença de postura e comportamento leva-me a questionar se a distância entre mim e o quotidiano d@s portugues@s comuns me torna menos acessível enquanto figura pública. Talvez esta imagem polida e imaculada, que tanto me esforcei por construir, crie mais barreiras do que pontes, afastando-me da conexão genuína que tantas vezes é o alicerce da confiança política.


A verdade é que cresci num ambiente privilegiado, numa moradia em Cascais, rodeado de oportunidades que a maioria talvez nunca tenha. Já vivi em cinco países, estudei em universidades de prestígio e, mesmo sem me considerar um génio, tenho conseguido alcançar bons resultados académicos. Tenho valores sólidos: acredito num sistema político livre de corrupção, preocupo-me com causas sociais e ambientais, e procuro sempre agir de forma íntegra. Contudo, pergunto-me se isso é suficiente para inspirar confiança e proximidade. Será que @s votantes prefeririam alguém que simbolizasse mais as suas dificuldades e rotinas, que usasse uma linguagem mais descontraída, ou até que mostrasse pequenos sinais de imperfeição, como um cabelo desalinhado ou uma piada mal colocada? Por vezes, fico com a sensação de que a perfeição que as pessoas projetam em mim pode ser um fardo – não só para mim, mas também para quem tenta ver-se refletido em mim. Afinal, será que a ideia de um(a) líder perfeit@ é o que @s portugues@s realmente procuram? Ou será que preferem alguém que, apesar das suas falhas, compreenda o quotidiano?


Nas últimas semanas, enquanto estive em Portugal, senti na pele o impacto de anos de dedicação e transformação pessoal. Cada vez que alguém se aproximava de mim na rua, pedindo uma selfie, percebia que algo em mim tinha mudado – não apenas a forma como me apresentava, mas também a perceção que @s outr@s tinham de mim. Três paródias musicais lançadas num único ano e a constante partilha de projetos criativos deram frutos de uma forma que, honestamente, nunca imaginei. Em 2020, quando ainda era um desconhecido, tinha sonhos maiores do que eu próprio. Queria ser Presidente da República Portuguesa, mas a ideia parecia uma fantasia remota. Quem me conhecia naquela altura sabia que eu não era mais do que um jovem com grandes ambições e pouca credibilidade – afinal, era o rapaz que nem sabia cozer ovos sem causar um desastre. Essa imagem, quase caricatural, incomodava-me, mas foi também o ponto de partida para uma mudança profunda. Afinal, ninguém nasce a ocupar o lugar que deseja; é preciso moldar-se, errar, reavaliar, e construir, pedra a pedra, a pessoa que se quer ser.


Percebi que, para ser levado a sério, tinha de começar por acreditar em mim mesmo. Redefini a forma como me via: em vez de ser o rapaz das inseguranças e erros triviais, imaginei-me como alguém confiante, determinado e digno de respeito. Esta mudança não aconteceu de um dia para o outro, mas foi o catalisador para uma transformação tangível. Ajustei a forma como falava, como me movia e como partilhava a minha história. Nas redes sociais, comecei a projetar a imagem da pessoa que sabia que poderia ser – não como uma fachada, mas como um reflexo do meu progresso interior. Deixei de pedir desculpa por sonhar alto e comecei a assumir um papel de líder na minha própria vida. A confiança que desenvolvi não era forçada, mas genuína, e foi essa autenticidade que ressoou com tantas pessoas. De repente, a mudança interior começou a transbordar para o exterior. Eu próprio comecei a acreditar, de forma quase inabalável, que já era O Presidente de Portugal, e essa crença contagiou quem me rodeava. Sem perceber, começaram a ver-me como uma figura de liderança, alguém que realmente poderia ocupar o mais alto cargo do país.


Na passagem de ano, organizei uma festa em casa, rodeado de amig@s que tornaram a noite verdadeiramente memorável. A energia era contagiante – as conversas fluíam sem esforço, a música animava até @s mais tímid@s, e a expectativa pelo que 2025 traria pairava no ar como uma promessa de novos começos. Já perto da meia-noite, decidimos sair e juntar-nos à multidão na baía de Cascais. O frio da noite era cortado pelo entusiasmo coletivo, enquanto procurávamos o melhor lugar para assistir ao espetáculo de drones e fogos de artifício organizado pela Câmara Municipal. Cada explosão colorida no céu arrancava suspiros e aplausos, enquanto o som ecoava pelas ruas históricas da vila. Com as doze passas na mão, uma tradição que cumpro religiosamente todos os anos, fiz os meus desejos. Entre eles, o habitual – saúde para mim e para @s que amo –, mas também o de continuar a crescer, tanto pessoal como profissionalmente. A cada passa engolida, visualizei o meu maior objetivo: manter-me Presidente de Portugal. Enquanto a última explosão iluminava o céu, senti determinação para continuar a construir o meu futuro.


No caminho de regresso, ao passarmos pela rua do Presidente Marcelo, avistámo-lo à porta de casa, envolto no seu característico carisma, a cumprimentar com simpatia quem por ali passava. O ambiente ganhou um brilho diferente, como se aquele encontro casual com o verdadeiro Presidente da República tivesse conferido um toque quase cinematográfico à noite. Para muit@s d@s meus/minhas convidad@s, especialmente aquel@s que não são de Cascais, foi um momento quase surreal, digno de ser capturado. Em poucos segundos, formou-se uma fila improvisada para tirar selfies com ele, acompanhada de murmúrios entusiasmados e sorrisos que revelavam a emoção de estar frente a frente com uma figura tão emblemática. Aquele momento, embora marcante, não me fez sentir nem mais nem menos importante. Pelo contrário, trouxe-me uma reflexão serena. Percebi que, embora nas redes sociais tenha conquistado o título de Presidente de Portugal, o verdadeiro peso e responsabilidade de liderar um país são de uma dimensão completamente distinta. Foi uma recordação humilde e necessária: há sempre mais a alcançar.


Acreditar em nós própri@s exige uma resiliência quase teimosa, uma espécie de fé inabalável que desafia até os dias mais difíceis. É um compromisso diário, uma prática constante de lembrar que cada obstáculo, cada “não”, faz parte de um percurso maior. Lembro-me de uma conversa que tive com a minha mãe, num daqueles momentos em que tudo parecia perdido. Depois de uma série de rejeições a oportunidades que julgava essenciais, desabafei, dizendo que talvez simplesmente não fosse suficiente. Ela, com o seu carisma único, respondeu: “Duarte, se algo não é para ti agora, é porque ainda não chegou a tua vez. Tens de confiar no tempo.” Essas palavras, ditas por experiência e com amor, foram um consolo é um guia. Desde então, sempre que enfrento um revés, repito para mim mesmo: “Ainda não é a minha vez, mas será.” Essa mentalidade não só me ajudou a lidar com os fracassos inevitáveis da vida, como também me permitiu apreciar os sucessos d@s outros sem sentir inveja. Afinal, a vida não é uma corrida, mas um processo contínuo de crescimento, e existe lugar para tod@s.


Ao longo dos últimos cinco anos, passei de ser um jovem com sonhos aparentemente inalcançáveis para uma figura que muitos veem como símbolo de ambição e perseverança. No entanto, essa jornada não foi isenta de dúvidas ou de momentos de vulnerabilidade. Cada revés – desde as rejeições iniciais à falta de credibilidade – foi uma lição, e cada pequena vitória, uma prova de que o trabalho árduo e a resiliência compensam. A história de Trump, com todas as suas contradições, recorda-me que a liderança não é apenas sobre atingir objetivos; é um caminho cheio de nuances. Não se trata apenas de chegar ao topo, mas de entender que as falhas fazem parte do processo, que as dúvidas moldam o caráter e que os desafios são essenciais para o crescimento. Não sou perfeito, e não pretendo sê-lo. Continuarei a desafiar as minhas inseguranças, a abraçar a incerteza e a investir na construção de algo maior do que eu. Sei sempre que, quando for o momento certo, acontecerá. Até lá, permanecerei firme, com a mesma energia que me trouxe até aqui – a minha versão mais autêntica, entusiasta e intensa.

 
 
 

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