Segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.
Hoje, durante a minha viagem de comboio para a universidade, deparei-me nas redes sociais com o “Global Youth Report”, parte da iniciativa “Be Seen Be Heard”. Esta iniciativa, promovida pela The Body Shop em parceria com a ONU, é um esforço significativo para destacar e resolver as questões enfrentadas pel@s jovens em todo o mundo. Visa dar voz aos/às jovens, permitindo que sejam vist@s e ouvid@s nas esferas políticas e sociais, focando-se em aspetos cruciais como a inclusão, a saúde mental, a educação e as oportunidades de emprego. Enquanto Presidente da CBS UN, fiquei imediatamente cativado por este relatório e pela própria iniciativa “Be Seen Be Heard”, pois amb@s oferecem uma visão abrangente sobre os desafios críticos enfrentados pel@s jovens e enfatizam a necessidade do seu envolvimento ativo na criação de políticas que @s impactam diretamente. Este alinhamento com os meus objetivos e interesses ressalta a importância da participação jovem no diálogo global e no desenvolvimento de soluções sustentáveis.
O relatório baseado no inquérito “Be Seen Be Heard Global Youth Survey”, realizado em dezembro de 2021, destaca a problemática da exclusão d@s jovens nas decisões políticas que afetam o futuro das comunidades, países e do planeta. Este estudo de grande escala, que incluiu 27,043 pessoas de diversas faixas etárias em 26 países, revela que apesar de metade da população mundial ter 30 anos ou menos, com expectativa de atingir 57% até 2030, @s jovens têm limitada voz, poder e participação na formação do mundo. A pesquisa, que teve amostras representativas em termos de idade, género, região e rendimento, mostrou que @s jovens não são um grupo homogéneo, possuindo experiências e preocupações diversas.
Segundo o “Global Youth Report”, o inquérito revela que 67% d@s jovens acreditam num futuro melhor, sendo @s jovens entre os 15 e 17 anos @s mais otimistas. Embora @s jovens tenham o direito de participar no processo de tomada de decisões políticas, enfrentam inúmeros desafios para se envolverem de forma significativa com os sistemas políticos complexos atuais. As barreiras incluem obstáculos administrativos, legais e financeiros, desconfiança em polític@s e instituições, falta de educação cívica e a ausência de candidat@s com @s quais se possam identificar. Apesar destes desafios, @s jovens continuam a trabalhar arduamente para fazer ouvir a sua voz sobre questões importantes, contrariando a ideia de que são politicamente apátic@s.
A participação d@s jovens no processo eleitoral resulta em benefícios tanto para el@s própri@s como para a sociedade em geral. Por exemplo, a redução da idade de voto aumenta a confiança nos processos democráticos e torna os sistemas políticos mais justos e representativos. No entanto, @s jovens estão sub-representad@s na política, com apenas 2.6% d@s parlamentares com menos de 30 anos e menos de 1% dest@s sendo mulheres.
Além disso, o inquérito descobriu que um terço d@s jovens com menos de 30 anos consideraria candidatar-se a cargos públicos. Contudo, enfrentam barreiras estruturais e legislativas, incluindo limites de idade mínima para a candidatura. Há uma discrepância média de mais de quatro anos entre a idade de voto e a elegibilidade para cargos eleitorais. Fatores como género, etnia, deficiência, normas socioculturais e recursos financeiros também influenciam as oportunidades d@s jovens em diferentes países. Apesar das asas políticas juvenis dos partidos serem um primeiro passo para candidat@s polític@s, muitas vezes não estão bem equipadas para facilitar um envolvimento significativo d@s jovens, observando-se uma diminuição de nov@s membr@s jovens.
Apesar da narrativa popular de que @s jovens são apátic@s ou desinteressad@s em questões cívicas, sociais e políticas, el@s estão ativamente envolvid@s em causar mudanças nas suas comunidades como defensor@s, empreendedor@s e inovador@s, protestando nas ruas e responsabilizando @s decisor@s polític@s. El@s manifestam-se contra a corrupção, questões de género, racismo e desigualdade socioeconómica, organizando greves escolares e liderando protestos em massa.
As ações d@s jovens têm influenciado questões políticas, sendo um motor importante por trás da atenção dada à emergência climática. O "Global Youth Report" indica que @s jovens estão mais envolvid@s politicamente do que se reconhece, participando ativamente na política de formas que vão além do processo eleitoral. O relatório sublinha a importância de atender às necessidades d@s jovens, realizando os seus direitos como cidadãos/cidadãs iguais e mostra por que é crucial incluí-l@s sistematicamente na tomada de decisões para o benefício del@s como indivídu@s e para as sociedades como um todo.
Enquanto analisava o “Global Youth Report”, fui simultaneamente captado pela recente cerimónia de coroação na Dinamarca, um evento marcante que culminou com Frederik X assumindo o trono após a abdicação da sua mãe, Rainha Margrethe II, que reimou durante 52 anos. Este acontecimento não só marcou a transição do poder real, mas também demonstrou a popularidade e o respeito pela monarquia entre @s dinamarques@s. Sob um frio intenso, dezenas de milhares de pessoas de toda a Dinamarca dirigiram-se à capital para testemunhar este momento histórico, num claro sinal do apreço e suporte ao novo rei e à família real. A cerimónia destacou-se pela sua simplicidade, uma tradição na monarquia dinamarquesa, e foi formalizada no momento em que a Rainha Margrethe assinou a declaração de abdicação durante uma reunião do Conselho de Estado no Parlamento.
Viver a coroação em Copenhaga, sendo um português residente na cidade desde 2019, foi uma experiência inesquecível. O momento mais marcante da cerimónia foi, indiscutivelmente, quando Frederik X e a Rainha Mary apareceram no balcão do Palácio de Christiansborg. O casal real, exibindo uma elegância natural e um carisma evidente, acenou para a multidão entusiástica, reforçando a simpatia e a proximidade da realeza com o povo dinamarquês. Esta aparição não só simbolizou a união nacional, mas também mostrou a capacidade da monarquia de respeitar as tradições enquanto adota uma abordagem progressista e moderna. A cerimónia, ao equilibrar respeito pelas tradições monárquicas com uma postura progressista, foi amplamente celebrada pel@s presentes, refletindo a habilidade da monarquia dinamarquesa de se adaptar e manter a sua relevância na sociedade contemporânea.
Este equilíbrio entre a identidade histórica e a resposta aos desafios do século XXI reflete-se também no “Global Youth Report”, que não é apenas um conjunto de dados; é um alerta para a vitalidade e o potencial da juventude global. Como aspirante a líder político, sinto-me inspirado para adotar uma abordagem mais inclusiva e representativa, assegurando que as vozes d@s jovens sejam ouvidas e valorizadas. Estou empenhado em criar um futuro onde @s jovens líderes possam eficazmente moldar o rumo do nosso país, garantindo um Portugal mais inclusivo, inovador e preparado para os desafios futuros. A integração da juventude na política é fundamental para revitalizar a democracia e preparar o país para um futuro progressista e inclusivo. Com esta visão, mantenho o meu compromisso de ser um agente de mudança positiva para a minha nação.

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