Segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 3 de mai.
Hoje é um dia especial, marcado por emoções mistas. Celebra-se o aniversário de duas pessoas muito importantes na minha vida: a minha melhor amiga de infância, Madá, e a Yilda, uma amiga especial do Equador que conheci numa conferência artística nos Estados Unidos em 2017. A Yilda, com quem partilhei um passado amoroso, este ano não me felicitou no meu aniversário, uma ausência que me magoou, mas não me impede de continuar a estimá-la. Com a Madá, por outro lado, a conversa foi mais calorosa e já planeámos assistir ao concerto da Bárbara Bandeira no Casino Estoril a 27 de dezembro. Esses reencontros são sempre repletos de alegria e saudade.
Após a celebração de ontem, o meu concerto de Natal do coro, sinto-me fisicamente exausto e emocionalmente vulnerável. Estes concertos trazem sempre muitas pessoas, mas o vazio das bancadas sem a minha família e amig@s ecoa a solidão de estar longe de casa, especialmente no inverno escuro dinamarquês.
Hoje, cedo pela manhã, enquanto International Student Ambassador (ISA), conduzi uma visita guiada aos campi da CBS para um jovem alemão de 18 anos, que se encontra num ano sabático à procura de respostas para o seu futuro académico. Ele hesita entre Medicina e Economia. A ideia de fazer um ano sabático fez-me rir só de imaginar a reação d@s meus/minhas pais/mães se eu lhes propusesse tal coisa – provavelmente, achariam que eu deveria ser internado num manicónio. Contudo, aqui em Copenhaga, percebi que é comum jovens fazerem pausas, até mesmo entre o ensino básico e o secundário, para escolherem as suas áreas de estudo com calma, longe da pressão dos exames e da rotina escolar.
Em seguida, encontrei-me para almoçar com a minha amiga Gargi. Durante a refeição, ela revelou que o seu pai, atualmente na Índia, também comemora o seu aniversário hoje. Prontamente, dei-lhe os parabéns por ele, explicando-lhe que compreendia os seus sentimentos visto que, hoje, também tenho pessoas queridas a assinalar aniversários longe de mim. Envolt@s numa conversa longa e cheia de empatia, partilhámos as nossas experiências e sentimentos antes de nos despedirmos, cada um regressando às suas obrigações, sobretudo num momento tão exigente como o período de exames que atravessamos.
Assim que me levantei da mesa da cantina, dirigi-me ao encontro da Marta, uma amiga letã da minha turma com quem tenho agendado um exame oral de grupo para amanhã. O nosso objetivo era ensaiar conjuntamente o nosso pitch. A Marta é uma daquelas pessoas especiais que, inicialmente, conhecemos num contexto e, subitamente, tornamo-nos inseparáveis, seja por pura coincidência, destino ou intervenção divina. Ambos éramos voluntári@s na CBS Students e, juntamente com o Mikkel, de maneira surpreendente, vind@s de três cursos distintos, acabámos por vir parar ao mesmo mestrado este ano.
Depois de nos encontrarmos e de revermos o conteúdo para a nossa apresentação, praticámos intensamente. No fim do nosso ensaio, ao sairmos da sala de estudos, deparámo-nos com um dos meus cartazes da campanha de exames, que estão espalhados um pouco por toda a universidade. A Marta, sempre pronta para captar um momento divertido, tirou uma fotografia minha ao lado do cartaz. Inspirada pelo momento, desafiou-me a levar o cartaz para casa e a pendurá-lo no meu quarto. E foi exatamente o que fiz.
Ao refletir sobre ter um cartaz com a minha imagem no meu quarto, pendurado precisamente em frente à cama, o primeiro objeto que os meus olhos encontram ao despertar, reconheço o valor de algo que nos inspire ao início de cada dia. Como alguém que habitualmente se sente nervoso com a proximidade dos exames, este lembrete diário é um conforto, pois recorda-me que: 1) enfrentar exames é um desafio comum a tod@s @s estudantes; 2) a CBS tem-me em tal consideração que me fez rosto da sua campanha de exames; e 3) há um toque de humor em acordar a ver-me a mim próprio – uma pitada de narcisismo saudável nunca fez mal a ninguém (digo isto em tom de brincadeira, claro).
Enquanto ensaio para o exame de amanhã, luto com a pronúncia de algumas palavras em inglês como “cumbersome”, “bulky”, “household”, “myriad”, “could vary”, “essential”, “chores” e “ripe”. Estas pequenas dificuldades linguísticas são lembretes tangíveis da minha jornada e da evolução que ainda tenho pela frente.
A jornada na perseguição dos sonhos é um caminho que exige mais do que mero desejo; requer uma persistência incansável e uma fé inabalável no que está por vir. Cada passo dado em direção aos objetivos é marcado pela determinação de nunca ceder ao desânimo. Em cada contratempo, encontro uma lição; em cada insucesso, um incentivo para evoluir e reforçar a minha resiliência. Estou convicto de que, mantendo a esperança ativa e enfrentando todos os desafios com coragem, os sonhos que guardo no coração, por mais audaciosos que sejam; estão ao meu alcance. Comprometo-me todos os dias a seguir em frente, sabendo que a verdadeira derrota só acontece quando se desiste de lutar.
Apesar da saudade que sinto de Portugal e da solidão que por vezes me invade em Copenhaga, dias como o de hoje são cruciais para o meu crescimento pessoal e profissional. Cada desafio enfrentado aqui molda-me e prepara-me para o futuro líder que aspiro ser. Estou a aprender, a cada dia, a transformar a solidão em força e a distância em motivação para prosseguir os meus objetivos.

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