Quinta-feira, 30 de novembro de 2023
- Duarte Carrasco
- 23 de dez. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.
No passado domingo, tive o privilégio de partilhar um brunch com a tia-avó Susana, aquela senhora portuguesa que conheci através da Associação Portuguesa na Dinamarca e que leva já 50 anos de vida neste país. Aos 85 anos, a sua vivacidade e espírito são uma fonte de inspiração. Neste encontro que tivemos no Café Vivaldi em Nørreport, ela presenteou-me com algo inestimavelmente especial: uma bússola que pertenceu ao seu falecido marido. Este gesto, carregado de significado e memória, tornou-se um dos presentes de aniversário mais especiais que recebi, um símbolo de orientação e História.
Passar tempo com alguém de uma geração mais experiente é uma oportunidade rica de aprendizagem. Ao ouvir as histórias da tia Susana, sinto-me a viajar no tempo, a ganhar perspetivas novas sobre a vida e a aprender lições valiosas que só a sabedoria dos anos pode ensinar. São momentos como estes que me recordam do valor incalculável que a experiência e o conhecimento d@s mais velh@s têm, uma verdadeira bússola para a minha própria jornada.
Os resultados das eleições para o Conselho Académico da CBS estavam marcados para serem anunciados na segunda-feira, mas, por razões que me escapam, só hoje foram divulgados no site da universidade. A espera foi inesperada, mas já na segunda-feira tinha tido um veslumbre da vitória: o Presidente da CBS Students, o David, enviou-me uma mensagem matinal a felicitar-me. Questionando a sua certeza, ele revelou ter recebido os resultados por email. Assim, inédito nos meus cinco anos de envolvimento nas eleições estudantis da CBS, eu detinha o conhecimento do desfecho antes de tod@s @s outr@s, carregando o peso de não poder partilhar a boa nova.
A minha reeleição, já antecipada, foi confirmada ao abrir o documento oficial: os meus votos subiram para 336, ultrapassando os 315 do ano anterior. O Mo, com 275 votos, e o Peter, com 223, acompanhavam-me na lista de eleit@s. O meu rosto nos cartazes da CBS, a minha imagem a promover os exames no site da instituição, as mais de 30 apresentações em salas de aula, a campanha digital minuciosa e uma reputação sem mácula haviam-me conduzido a um sucesso inabalável.
Esta vitória assumiu um contorno ainda mais significativo ao constatar que me tornei @ primeir@ estudante, de qualquer nacionalidade, a ser eleit@ três vezes consecutivas para o Conselho Académico da CBS. E as conquistas não se ficaram por aqui: com 42 votos, consegui um lugar entre @s cinco mais votad@s para a Direção de Curso do meu mestrado em Gestão Empresarial e Economia. Apenas o Mikkel, um amigo próximo e ex-Presidente da CBS Students durante o meu mandato como Diretor de Rede, me superou com 55 votos.
O Mo, que novamente fará parte do Conselho Académico comigo, apresenta-se como um possível rival ao recorde que estabeleci. No passado ano de 2022, ele ficou em terceiro lugar com 220 votos, mas, ao mesmo tempo, tornou-se n@ primeir@ estudante no seu primeiro ano de estudos na universidade a conseguir um lugar no Conselho Académico da CBS. Tendo em conta que o Mo está apenas no seu segundo ano de licenciatura, ele poderá vir a desafiar o meu legado dentro de dois anos, quando eu já tiver terminado o meu percurso na CBS e ele estiver a ingressar no mestrado. Esta perspetiva afia a minha competitividade inerente e aguça o meu instinto de antecipação estratégica.
Desde os primeiros anos escolares, sempre senti um forte impulso para liderar. Cada mudança para uma nova turma era uma oportunidade para me afirmar. A posição de delegad@ de turma não era somente um título, mas a expressão precoce da minha paixão pela liderança e pelo ambiente académico. Esta paixão alimentava-se do desafio de identificar outr@s alun@s com potencial para se destacarem. A presença de um(a) colega capaz de rivalizar comigo servia como um estímulo para eu redobrar os esforços, participar mais nas aulas e esforçar-me para ser reconhecido, não apenas pelos meus resultados académicos, mas como a voz representativa da turma.
Esta dinâmica acompanhou-me até à universidade, onde o desejo de ser o porta-voz d@s estudantes adquiriu uma dimensão mais séria. Para mim, não basta estar ao mesmo nível que @s outr@s; é fundamental destacar-me, ser um ponto de referência. Qualquer pessoa que possa surgir como um(a) potencial concorrente é percebida como uma ameaça que não posso descurar.
Reconheço que esta minha abordagem pode ser vista como um defeito; a insegurança que sinto face à possibilidade de ser ofuscado é uma fragilidade. No entanto, transformei essa fraqueza numa força, num escudo que me protege do fracasso e me impele a perseguir a excelência. Esta impulsão não é apenas um traço da minha personalidade, mas um elemento crucial do meu objetivo maior: liderar a minha nação. Assim, vejo cada desafio, cada ameaça em potencial, não como um obstáculo, mas como um passo adicional na escada que me levará ao sucesso e, possivelmente, à Presidência da República.
Os resultados eleitorais, agora confirmados, validam a eficácia da minha abordagem em enfrentar rivais como o Mo. A reeleição e o alargamento da minha influência para além do Conselho Académico são sinais inequívocos do valor dos meus esforços. Contudo, a celebração deste triunfo é momentânea, pois os meus olhos já estão focados nos exames de dezembro. Cada sucesso é uma pedra que pavimenta o meu caminho para lideranças futuras. E como erroneamente se atribui a Fernando Pessoa: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

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