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Quinta-feira, 21 de novembro de 2024

De acordo com a minha certidão de nascimento, faço 24 anos daqui a três dias. É curioso como, por vezes, ainda me sinto com 16 anos, enquanto noutras ocasiões parece que carrego 240 às costas. No entanto, a verdade é que, neste momento, tenho 23. Dizem que os “vinte e picos” são os anos mais divertidos da vida – prometo dar notícias assim que formar a minha própria opinião. Até lá, estes 24 anos têm sido uma mistura de desafios, crescimento e memórias inesquecíveis. Parece-me o momento perfeito para partilhar algumas das lições que aprendi antes de chegar aos 24, no meu ano da sorte segundo o zodíaco chinês, o Ano do Dragão, em 2024, no dia 24, durante 24 horas. Esta é a ocasião ideal para fazer uma pausa e refletir sobre tudo o que a vida já me ensinou até agora.

 

1. Nem tod@s irão gostar de ti, e está tudo bem.

No meu primeiro dia de aulas do secundário, no 10.º ano, sentei-me à hora do almoço com colegas que mal conhecia. Para tentar quebrar o silêncio desconfortável, decidi partilhar algo de que me orgulhava genuinamente: como tinha passado o verão a ajudar o meu avô materno com a sua coleção de selos. Mal terminei, uma das raparigas riu-se e disse, com sarcasmo: “Uau, tão emocionante.” Senti-me imediatamente envergonhado, como se aquilo que partilhei não fosse “bom o suficiente”. O resto da refeição passei calado, a perguntar-me se algum dia me iriam levar a sério.


Hoje percebo que nada do que eu dissesse naquele momento iria mudar a opinião daquela pessoa – e, mais importante, isso não teria qualquer relevância. Não precisamos que tod@s gostem de nós. O que realmente importa é sermos fiéis a quem somos, sem desculpas ou vergonha.

 

2. A família estará sempre lá para ti.

No meu primeiro semestre na universidade, tive uma semana particularmente difícil. Um exame tinha corrido mal, sentia-me isolado num país novo e, para piorar, adoeci. No final de um dia longo e frustrante, recebi uma chamada inesperada da minha avó. “Fiz o teu prato de bacalhau preferido hoje, pena que não estás cá para o provar”, disse ela com a sua voz calma e familiar. Aproveitei aquele momento para lhe contar tudo o que me estava a preocupar, e ela ouviu-me, sem julgamentos, com aquela paciência que só as avós têm. Quando desliguei, senti-me mais leve, como se o peso que carregava tivesse diminuído.


A vida pode ser exigente e, por vezes, afastamo-nos – fisicamente ou emocionalmente – das pessoas que nos amam. Mas a família, seja de sangue ou escolhida, estará sempre lá. Mesmo à distância, o amor del@s é um refúgio constante, pronto para nos acolher nos momentos em que mais precisamos.

 

3. Celebra as pequenas vitórias.

Certa vez, na longa viagem de comboio da universidade para casa, decidi pegar num livro que tinha deixado a meio há meses. Fiquei tão imerso na história que nem dei pelo tempo passar. Quando cheguei à última página, senti uma satisfação enorme, como se tivesse finalmente concluído algo que me tinha escapado por demasiado tempo. Pode parecer insignificante, mas aquele pequeno momento trouxe-me uma sensação de conquista e leveza, como se tivesse recuperado algo que era só meu.


As pequenas vitórias raramente são coisas grandiosas – às vezes, são tão simples como terminar um livro, beber um leite com chocolate num dia frio de inverno na Dinamarca ou reservar uns minutos para ti. Esses momentos, por mais pequenos que pareçam, recordam-nos de que há alegria nas coisas mais simples do dia-a-dia.

 

4. Ri de ti mesmo.

Lembro-me de um dia em que estava atrasado para uma festa de aniversário surpresa. Tínhamos de chegar antes da aniversariante, para garantir que a surpresa não fosse arruinada. Na pressa, calcei dois sapatos diferentes sem sequer dar por isso – um castanho e outro preto. Só reparei já na festa, quando um colega, com um sorriso malandro, me perguntou se aquele era o meu “statement look”. Senti-me imediatamente embaraçado e quis esconder os pés debaixo da mesa, mas, pouco depois, não consegui conter o riso. O que mais poderia fazer?


Esse momento, que antes talvez me tivesse deixado desconfortável durante dias, transformou-se numa piada que ainda hoje partilho com amig@s. Aprendi que rir de nós mesm@s não só alivia o peso de situações embaraçosas, como também nos lembra que a vida não tem de ser levada tão a sério. Afinal, tod@s cometemos erros, e o humor pode transformar o desconforto em algo leve, e até memorável.

 

5. É normal sentir falta de quem já partiu.

Lembro-me de uma tarde em que estava a arrumar o quarto e encontrei uma carta da minha ex-namorada, esquecida no fundo de uma gaveta. Era uma daquelas coisas que guardamos sem pensar muito, mas que, ao encontrar, nos transportam imediatamente para outro tempo. Na carta, ela descrevia o quanto adorava a forma como eu gesticulava quando explicava algo com entusiasmo. Sorri ao ler aquilo, porque, sinceramente, nem eu tinha reparado nesse detalhe em mim.


Não vou negar, senti uma pontada de saudade. Aprendi que sentir falta de alguém não significa querer voltar atrás ou estar preso ao passado. É simplesmente reconhecer que aquela pessoa deixou uma marca em nós, ajudou-nos a crescer e a ser quem somos hoje. E isso, por si só, já é motivo para sorrir.

 

6. Viajar muda-te.

Quando vivi em Ringwood, Nova Jérsia, tive pela primeira vez a experiência de ser o irmão mais novo. Na minha família em Portugal, sempre fui o mais velho – o primeiro a frequentar a escola, a descobrir como funcionavam as coisas e a abrir caminho para o meu irmão Tiago. Mas ali, em Ringwood, tudo era diferente. A minha irmã de acolhimento, Jessica, já tinha frequentado a Lakeland Regional High School e, de repente, eu tinha alguém a guiar-me.


Lembro-me da noite antes do meu primeiro dia de aulas, quando ela se sentou comigo na sala de jantar e começou a dar-me dicas: que professor@s eram mais exigentes, que clubes  valiam a pena e até qual era a melhor forma de estudar para os testes. “Inscreve-te no clube de teatro,” disse ela. “Não precisas de ser ator, mas el@s são sempre @s mais divertid@s.” Foi algo tão simples, mas, para mim, foi revolucionário. Pela primeira vez, não estava sozinho a descobrir tudo do zero – tinha alguém a orientar-me, a partilhar lições e a fazer com que me sentisse mais preparado.


Essa experiência ensinou-me que viajar não é só mudar de lugar; é ter a oportunidade de viver realidades que nunca seriam possíveis em casa. Durante um ano, tive o privilégio de ser o irmão mais novo, de ouvir conselhos, de confiar na ajuda de alguém. Foi uma lição de humildade e de conexão – algo que me fez crescer de formas que nunca poderia ter imaginado.


7. As tuas palavras têm impacto.

Depois das eleições para a Presidência da CBS Students, onde perdi por uma margem tão pequena, recorri às redes sociais para desabafar. Num momento de vulnerabilidade, escrevi sobre a frustração de ter ficado tão perto de alcançar um objetivo que parecia ao meu alcance. O que não antecipei foi como as minhas palavras, nascidas de emoção, seriam interpretadas de uma forma completamente diferente daquilo que eu pretendia. O que era para ser um desabafo honesto foi entendido como algo que não refletia os meus valores ou quem sou, resultando em consequências que marcaram profundamente o final do meu percurso na organização.


Foi um choque perceber como as palavras que dizemos ou escrevemos podem ganhar vida própria, fora do nosso controlo. Não era apenas sobre o que escrevi, mas sobre como foi recebido. Aprendi, de forma dura, que as palavras têm peso. Mesmo quando nascem da sinceridade, podem ter um impacto que nunca antecipamos.

Hoje, compreendo que ser cuidadoso com o que partilho não é autocensura, mas responsabilidade. Não significa deixar de ser autêntico, mas sim escolher palavras que reflitam verdadeiramente o que quero transmitir. As palavras são poderosas – têm o poder de construir, mas também de ferir. Usá-las com cuidado é uma forma de respeitar tanto @s outr@s como a nós mesm@s.

 

8. Ser gentil contigo mesm@ é importante.

Lembro-me de um dia, no meu primeiro semestre de mestrado, em que saí de uma aula completamente convencido de que tinha falhado redondamente. Era uma apresentação em grupo e, apesar de termos ensaiado, tropecei nas palavras e senti que tinha desiludido @s meus/minhas colegas. Passei o resto do dia a reviver aquele momento, criticando cada detalhe: deveria     ter-me preparado melhor, deveria ter dito isto em vez daquilo, deveria ter sido mais confiante.


Mais tarde, enquanto caminhava para casa, um d@s colegas do grupo chamou-me. Pensei que ia ouvir uma crítica, mas, para minha surpresa, ele disse: “Fizeste um ótimo trabalho hoje. Acho que apresentaste o ponto mais forte do grupo.” Fiquei sem palavras. Ali estava eu, a castigar-me por um erro que provavelmente ninguém reparou, enquanto, na realidade, tinha feito algo que foi valorizado.


Aprendi que, muitas vezes, somos @s noss@s piores crític@s. Vemos falhas onde @s outr@s veem esforço, focamo-nos no que correu mal em vez de reconhecer o que fizemos bem. Desde esse dia, tento lembrar-me de ser mais gentil comigo mesmo, de celebrar o progresso em vez de exigir a perfeição.

 
 
 

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