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Quarta-feira, 8 de maio de 2024

Atualizado: 25 de jan.

Os últimos meses foram intensos e repletos de acontecimentos marcantes. Em março, tive a honra de liderar a primeira conferência Model United Nations (MUN) na Copenhagen Business School, a CBSMUN, um marco histórico por ser a primeira do género nas universidades dinamarquesas. Em abril, além de lançar a minha quarta paródia musical “Dia D”, recebi dois influenciadores brasileiros em minha casa durante dez dias e desempenhei um papel ativo nas celebrações do 50.º aniversário da Revolução dos Cravos pela Associação Portuguesa na Dinamarca, uma organização com a qual me tenho vindo a familiarizar desde que me tornei membro da Direção em fevereiro. Taylor Swift lançou o seu muito aguardado 11.º álbum de estúdio, e Portugal acolheu Luís Montenegro como o novo Primeiro-Ministro. Apesar da minha agenda estar repleta de exames e da minha grande antecipação pelo concerto de Taylor Swift no Estádio da Luz em Lisboa, já no dia 24 deste mês, a minha principal preocupação atualmente concentra-se na eleição de um novo Presidente para a CBS Students, a associação de estudantes da CBS.


No final do ano passado, após duas tentativas frustradas de me eleger Presidente da associação de estudantes da minha universidade, decidi que era hora de abandonar esse sonho. Convenci-me de que já estava na altura de crescer e seguir em frente com a minha vida. Essa decisão permitiu-me focar na obtenção do estágio onde me encontro atualmente e em reorganizar a minha vida pessoal e académica. Sentia-me realizado com os novos rumos que tinha escolhido e estava a sair do estágio na passada sexta-feira, satisfeito com a aproximação do fim de semana, quando tudo mudou. Recebi uma mensagem inesperada da minha amiga Gargi, que reencaminhava um apelo da conta de Instagram da associação de estudantes: procuravam-se candidat@s para a Presidência, pois o atual Presidente decidira renunciar.


A notícia fez-me chorar de raiva; raiva pelo facto de alguém não valorizar uma posição pela qual eu daria tudo, raiva pela minha dupla rejeição e pela facilidade com que esta pessoa alcançou o cargo sem aparentemente lutar por ele, e raiva de mim mesmo por não ter concorrido em dezembro, apenas para marcar posição e mostrar o verdadeiro valor deste cargo. Em vez de ir diretamente para casa, desviei-me para a biblioteca da universidade. Lá, sentei-me e comecei a escrever fervorosamente a minha nova carta de motivação para o cargo. Horas depois, tinha comigo o que acreditava ser a melhor carta de motivação possível. A minha abordagem desta vez era notavelmente diferente: optei pela transparência total e pela honestidade acerca dos meus erros passados, em vez de tentar escondê-los. A minha candidatura era uma reflexão sincera das lições aprendidas e do crescimento pessoal que experienciei, especialmente durante o tempo em que fui Diretor de Rede na CBS Students.


Aos 22 anos, confrontei-me com as consequências das minhas ações, aprendi com elas e procurei orientação e apoio para melhorar. Essa fase de reflexão alterou profundamente a minha abordagem à liderança, tornando-me um líder mais empático e eficaz. Na minha carta de motivação, destaquei a importância de abordar a necessidade recorrente de realizar assembleias gerais extraordinárias e foquei-me na melhoria da retenção de talentos e na coesão da equipa na CBS Students. Propus intensificar os eventos de apreciação para fazer com que @s voluntári@s se sintam valorizad@s e acolhid@s. Caso fosse eleito, planeava dedicar os primeiros meses a reintegrar-me na organização, a fortalecer as relações dentro da equipa e a tirar partido de eventos como o Folkemødet, um festival anual de política na Dinamarca, para reforçar a nossa união e propósito. Adicionalmente, face às mudanças estruturais na CBS, que incluem a reestruturação estratégica das Direções de Curso, defendi a manutenção de um envolvimento estudantil forte e ativo.


Decidido, candidatei-me novamente, impulsionado não só pela aspiração a liderar, mas também pela convicção de que não poderia deixar escapar novamente esta oportunidade. Até ao momento, ainda não recebi qualquer confirmação de receção da minha candidatura, o que me deixou intrigado. Contudo, prossegui com o meu dia-a-dia até que, hoje, ao chegar à universidade depois do estágio, deparei-me com a Gargi em conversa com um membro da Direção da CBS Students, alguém que apenas havia comparecido à Assembleia Geral anterior por meu convite. Não foi dele que ouvi diretamente, mas o que descobri deixou-me profundamente abalado: a associação de estudantes já tinha um(a) candidat@ favorit@ para avançar no dia da eleição, e ess@ candidat@ era o atual Vice-Chairman da Direção, uma das pessoas encarregadas de receber e validar as candidaturas.


Quando soube disto, senti como se o chão me faltasse. Como era possível que, na primeira vez que me candidatei, a Direção tivesse incentivado o Vice-Presidente a concorrer para Presidente? E depois, quando esse Presidente desistiu no seu primeiro mês, candidatei-me novamente, e a Direção escolheu alguém de uma lista política rival, o grupo CBS Conservative and Liberal Students (CBS CLS), que acabou por vencer e é atualmente o Chairman da CBS Students. E agora, dada a minha persistência em tentar alcançar o cargo, colocaram o atual Vice-Chairman a candidatar-se. Estou abismado com a facilidade com que os eventos se repetem e se sobrepõem, superando as deceções anteriores.


E o pior é que estão a camuflar esta manobra. O candidato, numa clara demonstração de nepotismo disfarçado, publicou hoje no seu LinkedIn uma mensagem que minimiza a sua posição atual na Direção, enfatizando que é apenas um voluntário. Afirma conhecer intimamente a organização, apesar de estar na CBS apenas desde setembro do ano passado, enquanto eu já fazia parte desta instituição há cinco anos letivos. O meu coração doeu ao pensar na deceção que será perder novamente para alguém com uma fração da minha experiência e dedicação. Mas o que realmente me fez chorar não foi a perspectiva da derrota. Foi descobrir, através da Gargi, que a Direção estava ativamente a preparar-se para a minha participação na Assembleia Geral, ensaiando perguntas difíceis e agressivas para me confrontar no dia, numa tentativa clara de me desestabilizar e, possivelmente, destruir a minha confiança. Preparam-se para me humilhar perante toda a escola, uma escola pela qual lutei e dediquei tanto do meu tempo. Não é justo.


Ao longo da minha vida, sempre senti que tinha de lutar mais do que @s outr@s para alcançar os meus objetivos. Parece que enquanto alguns/algumas conseguem as coisas de forma quase instantânea, sem grande esforço, eu tenho de dar sempre um passo extra, enfrentar mais um desafio, ultrapassar mais uma barreira. Esta jornada de esforço constante tem-me ensinado, contudo, a valorizar profundamente cada conquista. Cada sucesso que alcanço vem carregado de significado e traz uma sensação genuína de realização que, suspeito, é muitas vezes ausente naquel@s para quem as coisas vêm facilmente. Esta batalha contínua fez-me apreciar os pequenos momentos de vitória e encontrar uma felicidade verdadeira nas realizações que, para outr@s, poderiam parecer triviais. É nesta luta e nesta valorização que encontro a verdadeira essência da gratidão e da satisfação pessoal.


Após ouvir as palavras da minha amiga, mentalizei-me de que a derrota era inevitável. Parecia que não havia hipótese de vencer, mesmo optando por uma abordagem de honestidade e vulnerabilidade. Parece que desejam um confronto duro, por razões que me escapam, e eu estou determinado a não desistir. Vou enfrentar esta Assembleia como uma oportunidade de aprendizado, para entender como sou percebido e converter qualquer crítica destrutiva em construtiva. A ironia de toda esta situação é que, mesmo querendo denunciar a falta de ética neste processo eleitoral, estou impedido, pois a associação de estudantes opera de forma independente da universidade. Já tentei antes sem sucesso.


Dia 15 de maio será decisivo, marcando o culminar de um percurso repleto de desafios e aprendizagens. Estou preparado para enfrentar o que vier, armado com a minha integridade e com a esperança de que, de alguma forma, este desafio me torne mais forte e resiliente. Seja qual for o resultado, levarei comigo a certeza de que lutei com honra e dedicação, mantendo-me fiel aos meus valores e princípios. Independentemente do desfecho, este processo será uma valiosa lição de vida, um momento de crescimento pessoal que me preparará ainda melhor para o futuro. Que venha o juízo final.

 
 
 

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