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Podcast "À Conversa Com..."

Data

09/02/2021

Transcrição

José: Bem-vindo, Duarte. Obrigado por teres aceite o convite.
Duarte: Obrigado, eu. É uma honra estar aqui presente no teu podcast. Para quem não sabe, eu sou o Duarte Carrasco, tenho 20 anos, sou conhecido nas redes sociais...
José: Falando sobre isso, para quem não te conhece, vamos fazer aqui uma breve apresentação para começarmos isto. Então, Duarte Carrasco é um TikToker português e começou a criar conteúdo no início da pandemia, em março. Não foi?
Duarte: Exatamente. Em março de 2020.
José: Os teus vídeos, não só sozinho, mas também com a tua prima Alice, ficaram virais e foi assim que tudo começou.
Duarte: É verdade. Foi assim que tudo começou.
José: Tem 20 anos, és de Cascais, e sonhas um dia ser Presidente da República Portuguesa. Já vamos a isso. Já fizeste várias colaborações. Com a Lili Caneças também, a quem tu chamas "tia Lili".
Duarte: É a tia Lili! Atenção...
José: Depois, podemos também ver-te várias vezes em direto com o José Castelo Branco, a quem chamas de tio também. O tio Zé.
Duarte: É o tio Zé. O tio Zé e a tia Lili.
José: E falas sobre vários assuntos da atualidade e polémicas.
Duarte: Sim, falo.
José: No teu tempo livre, tu gostas de tocar piano e guitarra, ver filmes e séries, conheceres e estares com pessoas, cultivares-te, viajar, e gostas de estar sempre a par dos assuntos da atualidade porque, afinal, tens de estar sempre nas tendências.
Duarte: Obviamente. O Duarte está sempre nas tendências.
José: Já vamos falar sobre isso. Tu estás no segundo ano da faculdade e estás habituado a ter uma vida independente. Já viajaste várias vezes sozinho. Vives sozinho, aliás, na Dinamarca, não é? E pronto, olha, bem-vindo. Obrigado.
Duarte: Obrigado eu, mais uma vez.
José: Então, olha, a primeira pergunta que eu tenho aqui para ti, e que é a pergunta que eu acho que toda a gente quer saber, é: Como é que é ser Duarte Carrasco?
Duarte: Como é que é ser Duarte Carrasco? Bem, ser Duarte Carrasco é ser-se muito diferente. É ser-se uma pessoa com uma mente muito aberta. E, acima de tudo, aberto a todas as aventuras, experiências e oportunidades. Eu nunca rejeitei nada porque eu sinto que cada oportunidade é uma experiência. E mesmo que não seja tão negativa, ou tão positiva quanto isso, é sempre uma experiência. E aprende-se sempre.
José: É verdade, é verdade. E qual é que é a parte boa e a parte má de seres Duarte Carrasco?
Duarte: A parte boa é o facto de eu poder, de certa forma, transmitir mensagens e abrir mentes. E, através dos meus vídeos, até promover certos assuntos. Agora, por outro lado, a parte má tem mais a ver com o facto de, muitas vezes, ir parar, assim, a páginas "cringe", não é? De receber muito cyberbullying diário. Muitas mensagens. Também de, por vezes, até em termos sociais, pessoais, haver gente que se torna meu amigo, não porque está interessado em me conhecer por eu ser o Duarte, mas sim pela minha fama, e isso, às vezes, também é um bocado chato.
José: Sentes que perdeste a confiança nas pessoas pela tua fama neste momento?
Duarte: É assim, as pessoas mais próximas desde sempre, é óbvio que não. Mas eu já tinha pessoas que conhecia, assim de vista, que se aproximaram, e nessas eu não consigo confiar porque, a partir do momento em que só começam a dar-me atenção, e só me começam a falar quando eu, de facto, já cresci nas redes sociais, isso demonstra que essas pessoas são interesseiras. E, para mim, pessoas interesseiras não valem nada. Peço desculpa.
José: Qual é que é o pior defeito que uma pessoa pode ter? É mesmo isso do interesseirismo, ou tens mais algum que não suportes mesmo numa pessoa?
Duarte: Um defeito que eu não goste nas pessoas? Detesto, detesto, detesto a procrastinação. Eu não gosto de pessoas que não façam nada da vida, que só estejam lá para comentar ou dizer mal. Gosto de pessoas com energia, com garra. E portanto, essas pessoas que não façam nada da vida, que passam a vida a comentar sobre coisas de que nem sequer sabem, isso para mim é horrível, detesto.
José: E sentes que, por exemplo, o teu público do Instagram é muito diferente do público do TikTok? Porque, normalmente, o público do TikTok defende-te. Há comentários e pessoas a defenderem e a corresponderem e não sei quê. No Instagram, nem tanto. Porque é que achas que o TikTok, neste preciso momento, tem mais fama do que o Instagram? Porque é que achas que o público te defende mais nos comentários do TikTok?
Duarte: No TikTok, o meu público é mais jovem. É mais infantil até. São mais crianças e pré-adolescentes. São pessoas que usam a aplicação ainda com uma forma muito ingénua. No Instagram, por outro lado, como é uma aplicação que requer que tenhas, assim, uma idade mínima obrigatória, já há mais gente com mais idade que acaba por ser um pouco mais mesquinha e mázinha. E portanto, eu reparo que, no TikTok, enquanto que as pessoas estão lá mesmo só para se divertir, no Instagram, já é mais para picar e para dar hate...
José: Dar polémica com as páginas "cringe", etc. Mas já vamos falar sobre as páginas "cringe". Ouve, há 5 anos atrás, pensavas, ou sonhavas sequer, que ias-te tornar na pessoa que és hoje? Que és uma pessoa neste momento... és um TikToker português, és influenciador e és sociável.
Duarte: Opá, isto vai parecer muito mau, mas a verdade é que sim, já sabia, porque a verdade é que eu já, isto não é uma coisa assim, que foi assim, de um dia para o outro. Eu já ando há muitos anos a trabalhar para chegar aonde eu estou aqui hoje. Até dá para ver pelo meu Instagram, que já tem... Já faço Instagram há 7 anos. Portanto, já é muito tempo. E já faço YouTube também há 3. Portanto, eu não diria que, não esperava. Ok, poderia não esperar tão cedo. Se calhar, esperava que fosse mais para os 23, 24 anos. Não pensei que fosse logo aos 19. Mas a verdade é que eu sabia que isto viria a acontecer. E por isso é que, se calhar, estou mais preparado do que, se calhar, outro certo tipo de influencers, que também apareceram com o TikTok, que não têm a mesma preparação que eu já tinha.
José: Porque tu, com ou sem TikTok, esperavas sempre ter esta vida. Portanto, o TikTok foi um bónus, basicamente, que te apareceu. E tu agarraste-o.
Duarte: Sim, aliás, eu, antes do TikTok, eu já era o Duarte. O TikTok, o que me fez foi dar-me exposição. Ou seja, o TikTok fez-me chegar ao mundo. Mas eu cheguei ao mundo, chegou ao mundo uma pessoa que já existia, eu não fui uma pessoa que nasceu com o TikTok. Eu já era o Duarte antes de ser o Duarte do TikTok.
José: A maior parte das pessoas perguntam se tu és a pessoa que és nos vídeos, aquela pessoa que berra com a Alice e que faz brincadeiras. Há outra gente que acha que tu és essa pessoa na vida real. O que é que tens a dizer acerca...
Duarte: Eu não diria que sou 100%. Mas a verdade é que essa pessoa que eu sou, às vezes com a Alice, e com a Madá, e com os TikTokers todos com que eu colaboro, essa pessoa já existia também antes do TikTok. É assim uma persona que eu criei desde sempre quando não me apetece ser eu próprio. Às vezes, gosto de fugir da minha própria realidade, gosto de fugir das minhas responsabilidades, das minhas obrigações, e gosto de entrar neste Duarte, que é uma personagem que eu adoro de morte. E vou ter imensas saudades quando eu tiver que largar de vez esta personagem.
José: Sim, é que, imagina, há muitas pessoas. Por exemplo, tens muitas figuras públicas, por exemplo, a Cristina Ferreira, que... Há pessoas que a ofendem porque pensam que ela é a apresentadora na vida real, e as pessoas têm que saber separar quando é que as pessoas estão a trabalhar, entre áspas (tu, que estás a fazer o TikTok por diversão, e, qualquer dia, se calhar, até é um trabalho). Mas há muita gente que também acha que a Cristina Ferreira deve ser assim na vida real. E as pessoas têm que saber separar essas duas dimensões. Quando estão a trabalhar ou quando estão na sua vida pessoal, não é?
Duarte: Claro que sim. E a verdade é que eu sou uma pessoa nos meus vídeos e sou outra na vida real, e tem de caber à consciência de cada um perceber a distinguir as duas pessoas. E, por exemplo, quando eu faço diretos com os fãs e isso tudo, já sou eu próprio. Já não sou a personagem. E, às vezes, há pessoas que ficam tipo: "Ah, tu não és assim na vida real?", e eu digo: "Não, isto aqui é nos vídeos, há que saber distinguir, não é?".
José: Consegues-te descrever em 5 palavras?
Duarte: Ui, 5 palavras...
José: Sem ser nos vídeos.
Duarte: A minha pessoa verdadeira, o meu Duarte verdadeiro.
José: Sim.
Duarte: Bem, eu sou uma pessoa empreendedora. Sou uma pessoa responsável, sou muito responsável. Sou uma pessoa trabalhadora. Sou uma pessoa criativa, tenho muita criatividade. E sou uma pessoa sonhadora, tenho muitos sonhos.
José: Boa.
Duarte: Gostei. Fiz agora as 5 palavras a pensar, a refletir em 2 segundos na minha vida inteira, e acho que estas palavras refletem perfeitamente a minha pessoa.
José: Descreveste-te, sim. É verdade. Olha, agora falando noutro assunto. Tu, na tua infância, tu eras uma criança que tinhas algumas dificuldades em criar amizades. Como é que passaste dessa criança para uma estrela do TikTok?
Duarte: A razão pela qual eu sempre tive muita dificuldade em criar amizades foi, exatamente, por eu ter sido diferente desde sempre. Era uma pessoa que era muito inteligente, lia muitos livros, e acabava por passar grande parte dos meus intervalos na biblioteca. E isto devia-se ao facto de eu não me conseguir ver nas outras pessoas. Olhava para as pessoas da minha idade e, para mim, eram pessoas muito imaturas, muito infantis. E não correspondiam àquilo que eu era. E quando fazes amigos nessas idades, queres fazer amigos que tenham os mesmos gostos que tu. E a verdade é que eu não tinha esses gostos. Eu lembro-me que eu era muito amigo, até das funcionárias da escola, dos professores. Porque a verdade é que eu não me conseguia identificar muito com as pessoas da minha idade. E por isso é que sempre tive muitas dificuldades em encontrar amizades. Agora, mais para a frente, já cresci. As pessoas também já cresceram (porque o problema aqui era mais as outras pessoas). E já é mais fácil de me identificar com pessoas da minha idade. Por isso, a partir de agora, da minha adolescência, e agora já dos meus anos como jovem antes de chegar mesmo a adulticidade a 100%, são anos que estão a ser super divertidos porque, de facto, eu já consigo encontrar valores em comum com as pessoas da minha idade, e isso aí é incrível.
José: Normalmente é a infância que abandona as pessoas. Sentes que foste tu que a abandonaste com essa necessidade de cresceres muito rápido?
Duarte: Eu sinto que eu sempre tive um lado muito infantil. Mas eu acabo por não o usar tanto porque eu sinto que eu nunca deixei de ser criança e sinto que eu estou igual à forma como sempre fui. Ou seja, eu não evoluí muito mentalmente desde criança até agora. Eu sempre fui uma pessoa com muita maturidade, mas, ao mesmo tempo, também sempre tive um lado assim mais infantil. Sempre vi muito Disney Channel. Sempre vi muito Canal Panda. E a verdade é que, ainda hoje, eu tenho os mesmos gostos dessa altura. Ou seja, eu sinto que eu sempre fui criança e ainda sou. E sempre fui adulto e ainda sou. Eu soube sempre fazer assim um balanço entre os dois mundos. Nunca fui só criança e agora não sou só adulto. Sempre mantive assim um bom equilíbrio.
José: Claro. E se tu pudesses voltar atrás no tempo e falares com o Duarte Carrasco de 13 anos ou 15 anos, que conselho é que lhe davas?
Duarte: Eu provavelmente dar-lhe-ia o conselho de não ter medo do que é que os outros pensam porque isso aí, realmente, prejudicou-me muito. Porque eu queria muito ser uma coisa e não o poderia ser, de facto, por causa da vergonha que eu tinha em relação ao que os outros iriam pensar. Eu lembro-me, por exemplo, eu queria vestir assim roupas que não vestia porque tinha medo do que é que os outros iriam dizer. E lembro-me que fazia muitas coisas que, se calhar, não faria se não tivesse... Eu lembro-me, por exemplo, que os meus pais queriam andar de mão dada comigo. Eu dizia: "Não, pais. Tipo, não vou estar de mão dada com os meus pais. Tipo, as pessoas vão-me ver e vão-me chamar, tipo, de criança." Eu tinha muitos, muitos problemas de autoestima. E pronto, isso aí é algo que eu, hoje em dia, olho e penso assim: "Que ridículo. Tipo, não devemos querer saber do que é que os outros pensam...
José: E o TikTok ajudou-te com isso, não é?
Duarte: O TikTok ajudou-me imenso. Porque eu, no TikTok...
José: Falando agora... o TikTok...
Duarte: Eu criei conteúdo com a filosofia de não querer saber. E ajudou-me imenso, então, a não querer mesmo saber e a largar todos os meus problemas de autoestima e explodir, digamos assim.
José: E como é que é a tua relação com a tua prima Alice? Vocês, no fundo, começaram juntos, não é?
Duarte: A Alice e eu, nós nascemos juntos, praticamente. Eu e ela temos 6 meses, 7 meses de diferença. E portanto, como as nossas mães são tipo melhores amigas, e nós também somos mesmo primos, não é, temos família em comum, acabámos por crescer sempre muito juntos e sempre fomos muito amigos. Sempre tivemos feitios e personalidades muito parecidos, que também ajudou. E, por isso, eu olho para nós os dois e penso numa amizade como de irmãos, praticamente. Porque ela é como uma irmã mais velha para mim porque, de facto, eu sempre olhei para ela como um exemplo do que eu quero ser. Ela sempre foi uma rapariga muito inteligente, uma rapariga muito social. Lembro-me, por exemplo, de ela já ter 16 anos, eu ainda tinha 15, e ela ir ao Urban. Eu ficar, tipo: "Uau, eu também quero ser como a Alice, ir ao Urban." Depois, ela tirou a carta de condução aos 18 anos, já ia dizer 17, e eu fiquei tipo: "Uau, também quero tirar a carta de condução." Ou seja, ela sempre foi assim um exemplo para mim, para aquilo que eu queria seguir e queria, de facto, passar a ser. E eu gosto imenso da Alice e estou mesmo muito feliz que a nossa amizade tenha continuado a ser desenvolvida e que, na quarentena de 2020, tenhamos, de facto, seguido os passos com que sonhámos.
José: Portanto, a Alice também não é aquela personagem do TikTok?
Duarte: Não, a Alice, ainda... A personagem dela ainda é mais exagerada do que a minha porque eu ainda, como eu disse à bocado, ainda consigo ser essa personagem fora das câmaras. Eu, às vezes, quero relaxar e quero libertar-me da minha pressão e ansiedade que eu tenho normalmente no meu dia-a-dia em relação à universidade e tudo, e acabo por ser um bocado a persona que eu sou no TikTok. Agora, a Alice, eu não sei aonde é que ela vai buscar a personagem dela, mas a verdade é que não tem nada a ver com nenhuma das suas atitudes fora de câmara. É impressionante.
José: Pois, porque ela é muito calminha, muito serena, muito zen.
Duarte: Ela é muito calma, muito zen, muito... está sempre a fazer meditação, yoga. Ela é o máximo, não tem mesmo nada a ver com aquela personagem nos vídeos.
José: Pois, não tem mesmo nada a ver. Portanto, isso é mais uma das provas de que vocês não são mesmo as pessoas que são no TikTok. Estão com personagem.
Duarte: Exato.
José: Claro. Olha, agora falando um bocado das páginas "cringe" que tu estavas a falar à bocado, muitos dos teus vídeos vão parar às páginas "cringe", não é? À Cringe Portugal, entre outras. Como é que lidas com essa onda de hate que muitas vezes levas, e como é que isso influencia a tua autoestima? Porque eu sinto que isso está-te a aumentar a autoestima em vez de te rebaixar, não é?
Duarte: Com tantos TikTokers que produzem conteúdo assim considerado pelos critérios de "cringe", eu sinto que ser o meu conteúdo a ser o selecionado para essas páginas, entre tantos outros conteúdos, é algo que demonstra que, apesar de eu ser "cringe", sou um "cringe" usado para promover páginas. Porque essas páginas publicam os meus vídeos para ganhar seguidores. Ou seja, eu penso que, ao ir parar a essas páginas, estou a ajudá-los a crescer. Então, eu penso que eles olham para mim como uma fonte de crescimento. E, para mim, isso é ótimo porque eu consigo reparar que as pessoas olham para mim com algum potencial, uma potencial fonte de crescimento. E portanto, eu gosto sempre de olhar para o lado positivo. Claro que também há montes de lados negativos, não é? Eles olham para mim como uma potencial fonte de crescimento exatamente pelas minhas figuras tristes. Mas eu penso sempre pelo lado positivo porque eu sinto que, se nós olharmos para o negativo, nós nunca iremos crescer e vamos estar sempre estagnados. Porque, realmente, é preciso ter uma boa atitude e uma boa energia para podermos prosseguir, e seguir em frente, e sermos pessoas melhores.
José: Há muitas pessoas que, se calhar, se fossem parar às páginas "cringe", levariam isso como bullying, cyberbullying e, no fundo, é, não é? Mas como é que tu lidas com o bullying e com o cyberbullying, acima de tudo (porque é através da internet e dos teus conteúdos na internet, portanto, é mais cyberbullying do que propriamente bullying)?
Duarte: Exato. Basicamente, pronto, uma coisa que eu aprendi a fazer logo desde o início é nunca ler os comentários porque, de facto, ler os comentários ajuda, de facto, a aumentar a tristeza, e a tristeza é inevitável, não é? Se nós virmos que estão pessoas ali a passar a sua vida e o seu tempo, ali a tentar rebaixar-nos, nós vamos ficar tristes, não é? Realmente, se encontrássemos, se calhar, essa pessoa na rua, mesmo que ela nos tratasse bem, acabaríamos por achar que ela nos acharia um atrasado mental, e isso não é lá muito agradável. E eu sou uma pessoa tão perfecionista e quero transparecer uma imagem tão positiva, acabo por me entristecer por ver as pessoas a tratarem-me, de certa forma, de forma tão cruel. Mas, por outro lado, lá está, eu tento pensar que essas pessoas que desperdiçam o seu tempo a ir comentar são pessoas que estão mal consigo próprias. E, por isso, eu acabo por não ligar muito, e um conselho que eu tenho para dar é exatamente o não ligar a essas pessoas porque essas pessoas é que estão mal.
José: Claro. E olha, tu tens algum, tens muitos episódios absurdos que já te devem ter acontecido com fãs, obviamente, mas qual é que foi o que mais te marcou, tens algum?
Duarte: Cyberbullying ou mesmo na vida real? Porque também já aconteceu...
José: Na vida real, através da internet, algum fã que tu tenhas conhecido pessoalmente, ou que tenhas combinado com ele?
Duarte: Sim, o episódio que mais me marcou foi uma vez aqui na Dinamarca. Eu recebo muitas mensagens de pessoas que estão cá na Dinamarca, que, como sabem que eu também cá estou, mandam-me mensagens a perguntar se nos podemos encontrar, se eu lhes posso aconselhar, como já vivo cá há muito tempo, assim sítios onde eles podem fazer turismo, não sei quê... E isso acabou por me acontecer. Uns jovens vieram ter comigo porque disseram que me recomendaram da universidade (porque eu estou lá na universidade alistado como um dos ajudantes de estudantes portugueses quando vêm cá estudar para a Dinamarca), e eu fui ajudá-los, não é? Mostrei-lhes um bocado da cidade, fomos jantar a um restaurante, e a meio do jantar, eles tiveram que ir ao Instagram, não me lembro bem porquê já, e aparece lá... Estás a ver quando tu vais pesquisar e na barra de pesquisas aparece sugestão número 1? Na barra de pesquisas deles estava lá a dizer Cringe Portugal. E eu fiquei tipo: "Pronto, já percebi que estes aqui realmente tinham segundas intenções para com a minha visita, a minha reunião." E por isso, pronto, eu fiquei, foi um choque porque eu estava a meio de um restaurante, eu não podia me ir embora assim a meio, tinha que pagar, e, pronto, já que estava ali a pagar num restaurante italiano até refinado, tinha que comer até ao fim. Mas, de facto, foi uma bomba, um choque interior. Estás a ver quando recebes uma bomba mas tens de fingir que está tudo bem?
José: Sim.
Duarte: Estava quase a chorar por dentro, mas, tipo, a sorrir por fora, a comer no restaurante, tipo... Eu lembro-me que quando saímos do restaurante, até estava já mal, até cheguei a casa e vomitei porque eu estava mesmo... Foi mesmo um choque muito grande nesse dia. Porque, depois, eu até fui ligar à universidade, e às pessoas que me recomendaram, e elas disseram-me que eles nem sequer lá foram. Ou seja, eles nem sequer foram lá, e, assim tipo, perguntar quais é que são os voluntários para lhes dar a conhecer a cidade. Ou seja, eles foram diretos a mim, mentiram-me, e ainda se aproveitaram de mim, porque eu, depois, entretanto, tinha feito umas stories, não sei quê, para gozarem comigo na minha cara. E, realmente, não foi nada agradável, e, até hoje, ainda estou um bocado marcado desse incidente, e tenho mais cuidado agora com quem é que eu combino.
José: Pois, é que lá está, porque há muita gente que não te conhece do TikTok, mas conhece-te através da Cringe Portugal ou de outras páginas, não é?
Duarte: Sim, e acho que grande parte da minha fama... É que há TikTokers e há personagens da internet. E eu já estou, tipo, eu já sou ambos. Porque eu tenho tanto o público infantil, como disse há bocado, do TikTok, mas também já tenho a fama de personalidade da internet. Então, eu acabo por ter dois públicos-alvo, e acabo por ter pessoas de um público-alvo muito alargado devido a essas tais duas fontes de exposição.
José: Sim. Ouve, tu foste fazer AFS, não foi, no 11.º ou 12.º?
Duarte: 11.º.
José: De que forma é que o AFS te influenciou, ou te marcou, para te tornares também um bocadinho da pessoa que és neste momento?
Duarte: Olha, digo-te já que o AFS foi das coisas, foi das experiências que eu tive que mais me mudaram. Eu consigo ver um... Eu sinto que esse tal crescimento que eu tive desde a minha infância até aos dias de hoje foi graças, grande parte do crescimento, há minha experiência com a AFS. Porque eu era uma criança quando fui para os Estados Unidos e regressei um adolescente, posso mesmo dizer isso. Eu era muito... Lá está, eu sempre tive muita maturidade em termos intelectuais. Mas, em termos sociais, eu era aquela pessoa inibida, muito tímida, muito introvertida, com muita falta de autoestima. Eu lembro-me que, nas turmas, eu era sempre o último a fazer amizades, se é que as fazia. E as pessoas olhavam para mim quase como um cromo, como um nerd, como aquela pessoa que tu vais todos os dias perguntar se fizeste o T.P.C. e copiar. E depois, lembro-me que eu, no 12.º ano, as pessoas foram ter comigo dizer: "Duarte, podes-me emprestar o T.P.C. e eu: "Não, olha, tivesses feito." Ou seja, eu ganhei uma adrenalina e uma compostura com aquela experiência que tu não estás bem a ver. Eu ganhei muita autoestima porque a primeira vez que eu tive, de facto, o sentimento de ser especial, de ser diferente, foi nesse ano. Eu era o único estrangeiro no meu secundário, e os americanos... Eles são muito curiosos e querem muito conhecer, assim, estrangeiros. Então, eu era quase a sensação, a estrela da minha escola. Eu passei de ser aquela pessoa invisível que ninguém conhecia no meu liceu, para ser o número 1. Toda a gente sabia quem era o Duarte de Portugal. E no 12.º, lá está. Passei, 10 pessoas conheciam-me, tipo: "Olá, tudo bem?", e adoravam-me. E depois disseram-me: "Então, tu és o aluno novo, não és?". E eu: "Não, também tive nesta escola no 10.º ano, só que tu não te lembravas de mim." Porque eu era uma pessoa que não brilhava. E, a partir desse ano, nos Estados Unidos, com a AFS, comecei a brilhar. Foi mesmo essa experiência que, o meu primeiro contacto com o mundo da exposição. E adorei.
José: Olha, sabe-se também que tu és muito amigo da Lili Caneças, não é? De quem tu chamas tia Lili, como eu disse na introdução. Como é que essa história começou entre vocês os dois? E com o tio Zé depois mais tarde, o José Castelo Branco?
Duarte: Tudo começou porque eu, para aí em janeiro do ano passado, há mais de um ano já, ou fevereiro, pronto, foi há um ano atrás. Ah, isto ainda foi há mais tempo. Eu já a conhecia, porque eu sou católico, eu vou todos os domingos à missa quando estou em Portugal. Agora, neste preciso momento, estou-me a baldar, por isso, já vou ter eu que me ir confessar quando regressar a Portugal. Mas, eu quando estava em Portugal, antes de vir para a Dinamarca, eu ia à missa, e eu, de vez em quando... Eu customo ir à missa de domingo de manhã, mas, de vez em quando, ia à missa de domingo à tarde, que é a missa a que vai a tia Lili. Então, eu já a via, assim de vista, há muitos anos porque ela ia sempre àquela missa. É a missa da Paróquia de Cascais das 19:15. E, de repente, eu, um dia, dou por mim e estou, tipo, no YouTube a vaguear, e aparece-me lá o Rui Unas, podcast com Lili Caneças. Fui ver, por curiosidade, aquilo eram três vídeos assim de 40 minutos. Portanto, era um podcast grande. Fui ver, por curiosidade, porque pensei assim: "Eu já conheço esta pessoa de vista. Deixa cá ver a história." E bem, eu ri-me tanto, tanto, tanto. E achei tão engraçado. Passei a gostar tanto da figura Lili Caneças que me tornei fã dela. E então, quando eu regressei a Portugal, comecei com os TikToks, fiz uma brincadeira e fiz um vídeo sobre ela e até sobre o José Castelo Branco e sobre outros (Cristina Ferreira, Bárbara Bandeira, David Carreira, Cristiano Ronaldo). Fiz assim uma brincadeira com várias personalidades portuguesas. E a Lili Caneças foi uma das que respondeu. E como ela já me reconhecia também de vista, e já lhe tinha enviado uma mensagem do podcast, ela até me seguiu de volta e começámos a falar assim por mensagem. E, de repente, um dia, estava eu a gravar TikToks com a Alice ao pé da casa dela, e, de repente, ouvimos uma buzina de um carro, eu olho, isto tudo a ser gravado, e olho, e é a tia Lili. Então, fico passado, tipo: "Oh, meu Deus. É a primeira vez, desde que falamos, que eu a vejo, quero imenso ir ter com ela, ir ter com a tia, não sei quê." Digo sempre à Alice: "Grava, grava. Não pares de gravar." Ela a correr, largámos as malas e os guiões pelo caminho, que isto era inédito. Também era pandemia, e era Covid, e era Cascais, portanto, não havia ninguém na rua para nos poder assaltar. Então, largámos tudo, fomos ter com ela, até gravámos o momento todo a acontecer, o episodio. E ficou icónico. Depois, a partir daí, eu e a tia Lili ficámos amicíssimos. A partir de agora, de vez em quando, eu comento os posts da tia Lili, ela comenta os meus, e ela até ficou ressentida de eu, esta última vez que fui a Portugal no Natal, ter ido a Cascais e não ter falado com ela. Portanto, agora até está ressentida. Assim que chegar em junho, vou ter que ir logo ter com ela porque, de facto, gosto imenso da tia Lili, e foi, de facto, das pessoas de quem eu mais me orgulho de ter conhecido neste último ano. Em relação ao tio Zé, o José Castelo Branco, também foi por causa desse vídeo que eu fiz das personalidades que o conheci pela primeira vez em termos de redes sociais. Ele respondeu-me a esse vídeo e repostou-o no seu Instagram. E depois, a partir daí, pronto. O meu nome já fica um bocado no ouvido dele. Depois, houve um dia em que eu lhe comentei qualquer coisa, acho que foi uma storie, e ele disse assim: "Qualquer dia tem que aparecer num direto meu." E eu fiquei tipo: "Uau, ok." Então, um dia, fiz isso. E apareci num direto dele. Falámos, ele gostou imenso de mim, e, a partir daí... A verdade é que é uma pessoa, realmente, de facto, incrível porque, pronto, eu já tive a chance de o conhecer fora da personagem, não é, pelo WhatsApp. E, de facto, ele é uma pessoa incrível. Muito inteligente. E digo mesmo que, para ele estar onde está, é porque é uma pessoa muito inteligente e sabe o que faz, e sabe o que rende. E gosto imenso dele exatamente por o achar genial, mesmo.
José: É. Por acaso é uma figura mesmo. Olha, um dos teus sonhos é seres Presidente da República. De onde é que isto veio, de onde é que isto surgiu?
Duarte: Isto veio, e ainda bem que falámos disto antes, do meu ano nos Estados Unidos com a AFS. Eu estava lá a fazer intercâmbio e, de repente, eu dou por mim a ver as pessoas a não entenderem o que é que Portugal era. Eu disse-lhes assim: "Ah, eu sou de Portugal." E eles: "Ah, Portugal... isso é em Espanha, não é?". Eles nem percebiam que Portugal era um país, e eu fiquei chocado. Depois, eu falava português, porque eles sabiam que eu tinha um sotaque, que era de outro país, qual é que era a minha língua original? Eu disse-lhes que falava português, e eles: "Ah, português é do Brasil. Tu és do Brasil, não sei quê...". Ou seja, cada um pior que o outro. As pessoas não sabiam... Só quando eu dizia e mencionava o Cristiano Ronaldo é que uns deles, aqueles que eram mais ligados ao soccer, que é como eles chamam ao futebol, é que realmente conheciam. E eu fiquei chocado porque Portugal já foi um país tão importante na História da humanidade. Aliás, foi o primeiro país a estabelecer fronteiras. Portugal é, de facto, um país tão incrível e teve tanta importância na História da humanidade. Como é que as pessoas não sabem o que é que é Portugal? E então, eu pensei assim: "Bem, eu nunca tinha, realmente, me apercebido... Eu nunca me tinha apercebido, de facto, o quanto eu gostava deste país. E, agora que estou aqui no estrangeiro, estou, de facto, a conhecer-me melhor, e a perceber que, de facto, o que eu mais quero é representar este país, é mostrar ao mundo que este país é um país, atenção, de primeiro mundo. E é um país que, de facto, já teve muito potencial e ainda o tem, apesar de, neste preciso momento, como é um país pequeno, estarmos com alguns problemas económicos (então agora com a pandemia e com o problema da educação a alargar). Mas é um país que tem muito potencial e cultura. Temos da melhor comida, temos um clima fantástico, temos... Mesmo a educação das pessoas é incrível. Em termos de tudo. Em termos de vestuário, em termos de restauração, em termos de tudo. Nós somos dos países melhores... Eu, que já viajei muito, consigo ver isso. De facto, Portugal é um país incrível e eu, como já viajei muito, sinto que tenho o potencial de um dia para o poder representar." Porque, de facto, para tu conheceres o teu próprio país, e o conheceres assim... Tu tens de viajar muito. E viajar é o meu nome do meio, basicamente.
José: É verdade, é verdade. Tu estás aí neste momento na Dinamarca a fazer o segundo ano do curso, não é? E já andaste entre a América, entre a Dinamarca, e estás sempre a viajar. Olha, qual é que é a tua maior inspiração? Se calhar é a Alice, não?
Duarte: É assim, a Alice é inspiração no sentido de valores familiares e sociais, mas assim uma inspiração já dentro do mundo das redes sociais, aquela pessoa que, realmente, me marcou mais ao longo da minha adolescência foi a Bárbara Bandeira. A Bárbara Bandeira... Quando eu disse, há bocado, que isto aqui do Instagram e de querer crescer, e de querer-me tornar na pessoa que eu sou hoje há 5 anos atrás, já era uma ideia presente, foi tudo graças à Bárbara Bandeira. Porque eu tive a sorte de acompanhar a Bárbara Bandeira antes de ela ser a personalidade que é hoje. Eu quando comecei a seguir a Bárbara Bandeira, ela nem sequer era verificada. E eu lembro-me que, pronto, ela era uma rapariga completamente normal, pronto. Sempre teve o pai cantor e isso tudo, mas era uma rapariga normal. Eu lembro-me que ela namorava até com aquele Artur Catfish da "Massa Fresca" e isso tudo. E consegui ver aos poucos ela a começar a ir à rádio, a começar a ir à televisão, a começar a ir a um programa de televisão falar, a ser comentadora, e realmente comecei a vê-la a crescer de uma certa, tal forma... Devagar, já a sigo desde 2016, portanto, um processo devagar, lento. Mas, de facto, que a trouxe à Bárbara Bandeira que é hoje. E então, eu, ao ver o crescimento dela, e ver como foi tão devagar, tão lento, mas como resultou, isso deu-me imensa inspiração porque, de facto, eu quero seguir esse caminho, quero seguir um caminho de começar, claro que não na área da música, que eu a cantar sou um nabo, mas, pelo menos, na área da representação e na área da, mesmo da criação de conteúdos. Quero chegar ao patamar em que ela tem vindo a chegar de ser convidada a ir comentar a programas, de participar, assim, em concursos, e isso tudo. E eu gosto imenso dela...
José: Porque, com tempo, tudo vai lá, não é? E não vale a pena teres, assim, uma fama repentina, e depois passaram três meses, e as pessoas já nem te...
Duarte: Claro, claro. Com tempo, tudo vai lá. É verdade.
José: Olha, como é que a tua família lida com esta tua fama? A tua mãe é mais resguardada, não é?
Duarte: Toda a minha família é resguardada. Se calhar a única pessoa que até se expõe mais é a minha avó. Mas, de resto... O meu pai nem sequer sabe bem a pessoa que eu me tenho vindo a tornar com as redes sociais. A minha mãe sabe porque ela tem consciência, não é? Ela tem uma empresa, e ela, um dia, perguntou às pessoas, falou de mim por alguma razão, e toda a gente da empresa sabia quem eu era. Então, ela ficou chocada... E há amigos dela, amigas especialmente, que têm filhos que são meus fãs e que lhe pedem vídeos... Ou seja, a minha mãe já tem essa consciência que o meu pai ainda não tem tanto. Mas, mesmo assim, lidam comigo como se fosse a pessoa mais odiada do mundo inteiro ou como se eu nem sequer existisse. Ou seja, eles dizem que me amam de tal forma que, para eles, ser a pessoa que sou agora ou não ser, para eles, é-lhes indiferente. Enquanto que há pais que querem que os filhos sejam isto, e pais que controlam as carreiras dos filhos, e pais que, até, se querem aproveitar dos filhos para eles próprios se desenvolverem e crescer, os meus, tenho a sorte de não quererem saber. E se, um dia, por acaso, as coisas correrem mal com as redes sociais, e eu desistir, amarem-me de, se calhar até me amarem mais. Porque, de facto, eu tenho-me vindo a afastar mais da minha família com isto das redes sociais. E, por isso, eu tenho a sorte de, para eles, lhes ser indiferente e isto tudo. Mas, claro que, se calhar, às vezes, até me ajudaria um apoio mais, de certa forma, da parte deles, porque é muito difícil eu tentar ser uma pessoa normal em casa, e depois irmos passear à rua e aparecerem os fãs e toda a gente ali para tirar fotos. Às vezes, é um bocado estranho, e por isso, eu, às vezes, até preferia que eles tivessem, assim, uma mente mais aberta. Mas eles gostam, e eles ficam felizes, porque eles sabiam já que eu sempre quis chegar aonde eu estou, e pronto, vão continuando com as vidas deles, e eu vou continuando com a minha.
José: Pronto, olha. Vamos então passar aqui por outro tipo de perguntas, que são perguntas mais rápidas, e para responderes de forma mais rápida. Olha, tenho aqui a primeira, que é: o que é que mudavas no mundo se pudesses mudar uma coisa?
Duarte: Se eu pudesse mudar uma coisa? Ai, que isto pode ser rápido, mas posso pensar. Tipo, é que eu agora fiquei assim...
José: Sim, claro.
Duarte: Ok, se eu pudesse mudar uma coisa no mundo, mudaria a forma de pensar, se calhar. Mas eu sei que tem de ser rápido, mas eu quero só explicar. Porque, basicamente, as pessoas fazem uma coisa que eu acho que poderia ser mudada, que era fazer aos outros aquilo que tu gostarias que te fizessem a ti. Eu acho que, se nós todos agíssemos perante os outros da forma que gostaríamos que os outros agissem perante nós, a paz no mundo resolver-se-ia em 2 segundos. Porque, de facto, isso é a chave. Isto foi uma professora de inglês minha que me disse quando eu estava no 8.º ano, mas que me fez imenso sentido, e que até hoje levo para a vida, que é: "Faz aos outros aquilo que tu queres que os outros te façam a ti." Isso aí é a chave para a paz mundial, e, por isso, é mesmo essa a frase que eu digo em relação àquilo que eu queria que mudasse no mundo.
José: Boa resposta. Olha, eu tenho aqui outra, que é: "O que é que mudavas em ti?" Alguma coisa fisicamente, ou na maneira de pensar? Mudavas alguma coisa, ou...
Duarte: Fisicamente, já aprendi a aceitar-me como eu sou. Se calhar, talvez, mudar o meu range vocal para ter, assim, uma voz, tipo, para poder cantar, e isso tudo. Se calhar, mudaria só a minha voz. Mas, em relação ao resto, acho que não mudaria muito porque eu sou muito à base da aceitação. E digo sempre às pessoas isto. Talvez, mais músculo também. Mas eu sou muito à base da aceitação. Portanto, não há grande coisa que eu gostaria de mudar em mim.
José: Olha, se o TikTok desaparecesse, quais é que são os teus planos? Tens algum plano? Agora estás-te a investir mais no Instagram, não é, para teres alguma base...
Duarte: E agora, estou também muito a focar-me no YouTube. Eu gravei agora, em Portugal, vários vídeos que tenho andado a postar. Por exemplo, agora o próximo vídeo vai sair no Dia dos Namorados, dia 14 de fevereiro. Mas, realmente, o YouTube é, a longo prazo, a plataforma que eu vou andar a explorar nos próximos tempos porque eu sinto que tenho muito potencial no YouTube, a falar de assuntos importantes para os jovens. E acho que será também uma forma mais séria de conseguir mostrar que, de facto, eu sou uma pessoa apta para ser o futuro Presidente de Portugal. Porque, no TikTok, não dá para eu postar nada assim de vertente séria devido à minha personagem, à minha persona de que falámos há bocado.
José: Claro, portanto, agora é, exatamente, é mesmo isso, investir no YouTube, porque nunca se sabe quando é que o TikTok e a plataforma pode acabar. Portanto, agora é, mais, basicamente, transferires os seguidores para outras plataformas. Olha, tens algum lema de vida, algum lema, alguma frase, não é, que tu te identifiques e que leves para a vida inteira?
Duarte: Eu adoro a frase "Eu só sei que nada sei." - Sócrates.
José: Sim.
Duarte: O filósofo, atenção, não o político. Porque a verdade é que nós devemos viver a vida como se ainda não soubéssemos nada, estivéssemos sempre aptos e prontos para aprender. E eu sinto que, mesmo que, se eu tiver já 200 anos e já tiver sabido tudo, eu ainda não saberia nada. Porque nós estamos sempre a aprender. E até os médicos, que estudam 5 anos intensivamente ou mais, até esses têm que passar a vida inteira a estudar porque o mundo está sempre em evolução e em crescimento, e nós temos que olhar sempre para tudo como se fosse a primeira vez, e temos que olhar sempre para tudo como se ainda não o conhecêssemos. Porque o mundo está sempre a mudar e nós demos focar-nos em aprender.
José: É o poder da adaptação. Saber adaptar-nos, isso é uma grande qualidade.
Duarte: Exatamente.
José: Qual é que... Tu tens algum vídeo de que te tenhas arrependido de ter gravado?
Duarte: Não. A verdade é que eu nunca me arrependo de nada do que eu faço porque, mesmo que me corra mal, eu aprendo. E eu tenho, assim, uma forma de pensar, que é: "Todos os erros que eu cometer agora são erros que eu não vou cometer no meu futuro quando a seriedade e a gravidade de os cometer será bem mais elevada." Ou seja, eu prefiro mil vezes cometer erros agora, e crescer deles, e aprender, para não os cometer mais tarde, do que ter uma vida perfeita agora, e depois, quando chegar a uma idade decisiva, e a uma idade de, realmente, ter consequências com os nossos erros, já ter muito conhecimento e muita sabedoria para não os cometer. Por isso, para mim, olha, quanto mais erros, melhor. Mais fico feliz, mais aprendo, não tenho, mesmo, assim nenhum problema. Quantos mais vídeos graves eu postar, mais eu aprendo do que é que eu não posso fazer para a próxima.
José: Portanto, nunca te arrependes de nada. Muito bem. Olha, daqui a 20 anos, o que é que te vês a fazer?
Duarte: Daqui a 20 anos, vejo-me nas Nações Unidas, em Nova Iorque, com a minha mulher, uma data de filhos. Será uma vida em grande...
José: Portanto, queres uma vida muito viajada. Nunca te imaginas a fixares-te num país?
Duarte: Em Nova Iorque. Eu imagino-me a fixar-me em Nova Iorque. É mesmo um país que... Um país! Uma idade que me identifica muito porque, nesse ano em que eu tive nos Estados Unidos, tive lá em Nova Iorque, vivia a meia hora de Nova Iorque. E, portanto, eu acabei por passar imenso tempo nessa cidade, e gostei imenso. Eu também já tive no outro lado dos Estados Unidos, do lado de Los Angeles e por aí. E não gostei tanto como do lado de Nova Iorque. Acho que, em termos da minha personalidade, Nova Iorque é o sítio. Tanto eu como a Alice temos a ambição de, um dia, ir para Nova Iorque viver.
José: Boa. Pronto, olha, chegámos até ao fim. E tenho aqui uma pergunta final para ti, que é: "O que é que o teu público, ou o que é que o público em geral, pode esperar mais do Duarte Carrasco?".
Duarte: O que é que o meu público pode esperar de mim? O meu público tem que esperar por um Duarte que, de certa forma, vai surpreender, vai ir para além das expectativas que vocês me estão a meter, e por um Duarte que, acima de tudo, vai acabar por mudar mentalidades. Vai ser um Duarte que vai crescer muito rapidamente. Porque Portugal é um país pequeno, com lugar para poucos, e eu sinto que terei lugar nesse pódio, digamos assim. E eu vou, de certa forma, mostrar a todas aquelas pessoas que, hoje em dia, não acreditam em mim, que se irão arrepender. Porque eu, de facto, tenho muito a dar, e há uma coisa que me distingue de toda a gente, que é coragem. E quem tem coragem chega a qualquer lado.
José: Ok. Olha, Duarte, obrigado por teres aceite, mais uma vez, o convite. E boa sorte aí na Dinamarca!
Duarte: Obrigado eu. Eu é que te agradeço pelo convite, e boa sorte também com este teu novo projeto, Zé, porque, de facto, tu tens muito a dar, eu sei disso. E olha, muito boa sorte com os teus estudos. Boa sorte com tudo. Vemo-nos por aí. Quando eu tiver em Portugal em junho, temos de combinar em pessoa.
José: Mesmo. Olha, obrigado, Duarte. Até já!

Participação no segundo episódio do podcast "À Conversa Com...", apresentado por José Nogueira e publicado no dia 9 de fevereiro de 2021.

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